A Celebração dos Mistérios no Rito Adonhiramita - A Gnose

Autor: MI Hiran de Melo, Cav Rosa-Cruz e Cav∴ Noaquita

Texto de referência da palestra, de mesmo título, que será apresentada no Período de Instrução, no dia 01/10/2019, Lagoa Seca, PB. Promovido pela ARLSSegredo e Lealdade, filiada de nº 24 à Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba.

 

1.  A Questão da Finitude da Vida Humana

A questão da finitude da vida tem levado à reflexão muitos sábios e eruditos ao longo do tempo. E nesta reflexão não é incomum que o próprio tempo seja problematizado. Penso que foi Santo Augustinho quem melhor colocou a questão do tempo presente, o real, como a fronteira entre o passado e o presente. Não vou retornar ao ponto que lá deixou o famoso santo. Nem tampouco esclarecer como ele tratou do assunto. Apenas recomendo a leitura dos escritos do santo sábio católico.

Penso no tempo presente concebido como um instante tão imediato que é quase imperceptível. Tanto é assim, que em geral, o humano só consegue se sentir vivente no tempo passado ou no tempo futuro. Como informa a Tradição Esotérica, viver o tempo presente é uma faculdade do Eterno Presente.

Por Eterno Presente quero eu me referir ao que o Mestre Seu Manoelzinho gosta de denominar a Imensidão. Outros preferem utilizar um tetragrama, por considerá-lo o inominável. Ou ainda, conforme a Tradição Esotérica, a Palavra Perdida.

Estar no presente, no instante em que de fato existe o real, é coisa para o Divino. Fora disso, só a ilusão, só os reflexos do real e tê-los como o próprio, nos escritos da Tradição do Desperto. Viver continuamente conectado ao presente é tão difícil para o humano que se atribui a esta conexão a Presença do Vivente Absoluto no conectado ou religado, conforme a Religião.

Deus está na fronteira porque Ele é a Eternidade, o Eterno Presente. Já os humanos, em geral, existem fora desta fronteira. O existir e o pensar de fora da fronteira têm como consequência, para o humano, se expressar no relativo, no que lhe é possível.

Muito além do espaço físico, muito além do mundo humano, o cosmo, no transcendente encontra-se o Vivente Absoluto. No mundo, no imanente, encontra-se o humano, o vivente relativo. No absoluto o tempo não existe. Daí a Imensidão está presente sempre e simultaneamente em todos os lugares.

No relativo o humano criou o tempo e a visão da vida como um processo, como uma cadeia de acontecimentos.

Deus - o Altíssimo na expressão de São Francisco - está presente na estrela mais distante da Terra e ao mesmo tempo está no Sol. Ao contrário do Divino, o humano não pode em um mesmo instante ocupar dois ou mais lugares no espaço.

Enquanto o tempo não existe para o Divino, ele é essencial para o humano. As ações humanas são determinadas pelos estímulos presentes, pelas memórias das respostas de estímulos semelhantes (passado) e pelo objetivo que ele deseja alcançar (futuro). Assim sendo, o homem vive em um alargamento temporal construindo a sua história. Exatamente em oposição ao Absoluto que existe além do tempo e não sofre influência do mesmo.

O beijo de Deus se dá em um simples instante, no tempo presente e nele se faz Infinito. Portanto, não tem fim e nem intenção. Já o beijo humano se realiza ao longo do tempo, se prolonga até contentar a motivação. Não se dá em um instante, mas ao longo do eixo temporal que se apresenta como um contínuo formado por instantes e sem fronteiras. Todavia, por mais que dure, o beijo humano é finito e intencional.

O humano vive no tempo passado e no tempo futuro, embora só exista no tempo presente, porque ele necessita constantemente construir o seu mundo. E neste construir tudo que lhe é dado de graça não tem valor. Ele precisa valorar através da conquista para se sentir um vivento no relativo. Sendo que a conquista se efetiva via uma cadeia de acontecimentos, de modo que o tempo presente se expanda para frente e para trás, no espaço relativo.

Desta expansão resulta que o mundo construindo pelo humano é pura impermanência. Por duas razões: o homem na sua própria materialidade é algo que flui, está sempre em mudança; o mundo humano está em permanente construção ou desconstrução, novas paredes são erguidas, antigas são derrubadas.

Sabe-se, também, que não se constrói um mundo se não houver um sentimento de pertença, de estar ligado a algo, e em consequência sacralizar este algo. Este sentimento de pertença não exige nenhuma Religião, pois já se estar ligado a algo dentro do mundo.

A Religião trata do sentimento de estar religado a algo fora do mundo. Daí a Religião se apresentar como ponte entre o humano e o Divino, partindo da premissa ou dogma que preconiza a ligação original entre o Divino e o humano. Tendo esta sido rompida, se faz necessária a sua religação.

Este dogma preconizando que o humano, o temporal, estando originalmente ligado ao divino, o atemporal, pode religa-se e retornar a eternidade. Esta religação se dará no momento da morte do seu corpo, da vida temporal. Desde que esteja previamente pertencente a uma Igreja – instituição que ministra os ritos da Religião - gozará a vida eterna. O finito, exatamente no instante da sua morte, será Um com a Imensidão.

A conexão com o Eterno Presente é celebrada no mito da ressurreição. A Imensidão se fez finita, se fez humana no menino Jesus. Existiu entre nós na condição humana, viveu o alongamento do tempo, viveu o próprio tempo. O Cristo se fez imanente e nos indicou o caminho da cruz. O encontro da Imanência, horizontalidade, com a Transcendência, a Verticalidade. No encontro, no ponto, todas as distâncias são nulas, o tempo não existe. Temos na cruz a oportunidade de contemplar a Eternidade.  Basta acolhê-la para entrar no Absoluto, livrando-se do Relativo.

Pode-se alegar que isto tudo não passa da expressão de uma atitude mística. Portanto, não é uma elaboração racional. Não me incomodo que assim seja visto. Pois falo do que sinto, não do que imagino. Falo que estar representado no painel do Grau Cavaleiro Rosa-Cruz do Rito Adonhiramita.

2.  A imortalidade da alma

Dentre os princípios fundadores da Ordem Maçônica encontra-se a imortalidade da alma. A palavra alma carrega múltiplas acepções. Dentre tantas a que se origina da concepção dual do corpo humano: matéria e alma. Nesta, de origem platônica, a palavra alma encerra os atributos reais e eternos do homem em contrapartida aos atributos materiais, transitórios. Reais no sentido da filosofia de Platão, no qual a morte do corpo material libertaria a alma desta relação dual que o aprisiona. Nesta acepção a alma é de natureza eterna, incorruptível. Em contrapartida ao corpo material (este, transitório, mutante, ilusório).

A palavra alma, também, encerra conceitos de outras tradições. Por exemplo, a da hebraica. Nesta tudo começa e termina na matéria, o homem veio do pó (da terra) e ao pó retornará. Então, a alma é a totalidade do homem: seu corpo, suas funções, seus pensamentos, sua mente. Portanto, a alma é mortal.

No início do cristianismo surgiram vários movimentos religiosos interpretando a via da salvação proposta pelo Messias. Os que incorporaram a tradição platônica receberam a denominação genérica de movimentos gnósticos. Pois propunham o conhecimento como a via da salvação da alma. Todavia, em que consistia este conhecimento era objeto de discórdia.

Para uns o conhecimento de um ritual sagrado e a prática exata do mesmo era a via da salvação, da libertação, da iluminação da alma. Na Ordem Maçônica esta via se apresenta no Grau de Cavaleiro Rosa Cruz. O conhecimento e a prática dos Mistérios do Pão e do Vinho consistem na gnose revelada ao iniciado.

3.  Origem dos Mistérios do Pão e do Vinho

Os primitivos que comia a carne e bebia o sangue do Soberano do Reino Inimigo, o faziam para se apropriar das qualidades do mesmo e assim ficarem mais fortes. Não comia a carne (ou bebia o sangue) porque estavam com fome (ou sede), mas para se alimentarem das qualidades imateriais do inimigo morto. É claro que este, para merecer tão grande honraria, teria que haver demonstrado bravura, sendo abatido com grande dificuldade e ter infligido aos vencedores grandes perdas. Os covardes não recebiam este rito sacramental.

Note que assim fazendo, os vencedores honraram o Rei vencido, ou o Valente do Rei, com um prêmio fabuloso, a perpetuação da existência em outros corpos. Nos corpos dos vencedores.

Esta prática foi sendo substituída por cerimoniais simbólicos, sendo o sangue substituído por um líquido (vinho) e a carne pelo pão.

4.  Atualização no Catolicismo

Por analogia, quem participa hoje dos Mistérios do Pão e do Vinho celebrados na Missas dos Cristãos Católicos comunga com o Corpo Místico do Filho de Deus e recebe a senha para entrar no Rei dos Céus. De forma análoga a sessão oferecida por Jesus, na ceia pascoal, aos seus Doze Discípulos.

Todavia, não basta participar da celebração destes Mistérios, é necessário se fazer presente. Lembre-se que Judas participou da ceia que instituiu os Mistérios, mas não se fez presente na comunhão.

A ele estava destinada outros Mistérios. Por não aceitar a via pacífica como estrada para o Reino de Deus nos Céus, preferiu a via da luta para o estabelecimento do Reino aqui na Terra. E assim, conduziu Jesus ao Sinédrio. Mas, isto já faz parte dos outros Mistérios.

Na celebração dos Mistérios do Pão e do Vinho nos rituais católicos, a carne e o sangue do Cristo, simbolicamente, estão nas mãos do crente, de modo a se constituir a comunhão com o Corpo Místico do Cristo.  Neste ritual o iniciado é convidado a comer a carne e beber o sangue do Filho de Deus. E, neste ato, se alimentar da Fonte Original da Vida.

Na essência esta é uma via gnóstica, embora a Cúria Romana considere as seitas gnósticas como hereges.

5.  A Chave Mística

A chave mística INRI, própria do Grau 12 do Rito Adonhiramita para muitos corresponde a máxima “Igne Natura Renovatur Integra” - o Fogo Renova a Natureza Inteira.

Como o mundo maçônico é constituído de livres pensadores, a consequência é a existência de várias heurísticas para decifrar a chave INRI. Dentre elas, citemos a que interpreta o I, de lammim = água; N, de Nur = fogo; R, de Ruahar = ar; e I, de labaschah = terra. Isto é, os quatros elementos alquímico essenciais da natureza.

Há outros que interpretam INRI como a abreviatura da frase em latim: Iēsus Nazarēnus, Rēx Iūdaeōrum cuja tradução é «Jesus Nazareno (ou, de Nazaré), Rei dos Judeus».

 

6.  Catolicismo e Maçonaria

O Mestre Maçom Espedicto Figueiredo enxerga uma grande semelhança do Grau do Cavaleiro Rosacruz com os Mistérios Católicos do Pão e do Vinho. Implicitamente admitindo que ele é a preliminar do Mistério da Paixão do Cristo, e assim, escreve “a descida sobre nós de profunda tristeza e trevas. Quando em desespero, nós podemos nos dirigir a duas grandes forças motivadoras para nos salvar: a Razão e a Fé. A Razão trata daquilo que pode ser demonstrado, o que é tangível; a Fé vem de dentro de nós, o intangível. Isso é expressado pela Cruz (morte) e a Rosa (ressurreição) ”.

Lembremos que, antes de ser crucificado, Jesus instituiu o que a Igreja denomina de sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue, “no desejo de perpetuar sua entrega na cruz até que ele volte. Através dos séculos este sacrifício tem sido celebrado nos altares de todo o mundo, nas espécies do pão e do vinho”. 

Para o teólogo Frei Raniero Cantalamessa: "O pão é fruto do trabalho do homem, alimento que reúne as pessoas ao redor da mesa, portanto é sinal de comunhão, não serve somente para matar a fome, mas é um sinal evidente de unidade. O vinho é símbolo de alegria, é usado para festejar”.

7.  A Ceia Mística Rosa-Cruz

Na celebração dos Mistérios Rosa-Cruz o Pão e o Vinho representam a carne e o sangue dos cavaleiros rosa-cruzes.  Simbolicamente, a carne e o sangue estão nas mãos dos cavaleiros, de modo a se constituir a comunhão com o Corpo Místico da Ordem.  Neste ritual o Celebrante anuncia que a nutrição aumenta a força da vida, de modo que a inteligência em cada um seja sã e sincera. E assim, permitindo o discernimento entre o falso e o verdadeiro.

A gnose é vivenciada na sua plenitude, estando os cavaleiros reunidos e formando um círculo, em dois momentos:

Quando o cavaleiro oferece o pão (a carne simbólica do grupo) ao próximo, lhe anunciando “comei e dai de comer a quem tem fome. Amai e frutificai. Aprendei e ensinai”; 

Quando o cavaleiro oferece o vinho (o sangue simbólico do grupo) ao próximo, lhe anunciando “Aprendei e ensinai”.  

Na essência é esta a gnose a ser conhecida e preservada como o caminho da salvação da alma.

8.  O mistério da morte contida na vida.

Caminhando de olhos vendados e estando nem nu e nem vestido adentra o neófito, guiado pelo irmão sacrificador, em um túmulo. Local aonde deve deixar simbolicamente o homem velho para propiciar o nascimento real do homem novo.

O neófito é convidado a sentar em uma pequena cadeira, sendo em seguida retirada a venda que lhe cobre os olhos. E assim ele contempla a sua frente uma mesa e sobre a mesma vários objetos símbolos da morte. Inclusive os ossos de uma cabeça. Ao lado existe um caixão com as demais partes do esqueleto.

As paredes do túmulo estão pintadas na cor preta, todavia os anos que se passaram já lhes dão uma nova coloração mais lúgubre. De fato não se trata de um lugar que se deseje ficar, nem por simples curiosidade, alguns instantes.

O irmão sacrificador, vestido todo de preto e com cabeça coberta por um capuz, anuncia ao neófito que irar deixá-lo entregue a sua consciência. É chegada a hora dele se voltar para os valores do seu enraizamento e responder a respeito dos seus deveres para com: consigo mesmo, o próximo, a família, a pátria e Deus. Ilumina o ambiente apenas uma pequena vela.

Depois de poucos, mas longos minutos o irmão sacrificador retorna e retira o neófito, depois de vendar os seus olhos, e recolhe o testamento deixado sobre a mesa. Nele deve está gravado o testemunho dos deveres que animam e enraízam o candidato à Ordem.

Agora, diante da porta do Templo de Salomão o candidato encontra-se preparado para demonstrar, em três longas viagens simbólicas, se é firme o seu propósito para ser recebido como irmão e se possui abertura ao novo.

Já fiz parte deste cenário uma vez como neófito e muitas vezes no papel de irmão sacrificador. Todavia, o sentimento foi o mesmo: senti-me como um peregrino em busca da verdadeira luz, de um batismo novo. Muito semelhante ao que sinto quando participo da cerimônia da comunhão católica cristã. Sinto a presença do mistério da morte contida na vida.

Escuto o eco do cântico do irmãozinho de Assis: “é morrendo que se vive para a vida eterna”. O irmão que recebeu a morte cantando, para nos lembrar que o Filho de Deus é nosso irmão. E que não se vai ao Pai senão pelo Filho. Portanto, para caminhar na direção do Pai é preciso se reconhecer como filho de Deus.

A proximidade da morte em um primeiro instante causa medo, depois quando acolhida como irmã se constitui a porta para uma nova vida. A morte é que permite a abertura do coração e da inteligência para o desenvolvimento do ser; permite o caminhar do ser na direção do SER, do filho na direção do Pai. Enfim, a ascese para um grau mais evoluído da consciência.

O mestre Leonardo Boff nos explica de maneira didática em que consiste o enraizamento e a abertura:

ü Cada um de nós se descobre enraizado dentro de um arranjo existencial com uma pesada carga biopsicossocial. Este é o mundo concreto, com possibilidades limitadas pela família, pela profissão, pelo nível cultural e pelo estado de consciência próprio de cada um. Eis o enraizamento.

ü Simultaneamente, o ser humano está aberto ao mundo circundante: interage com ele, troca informações, faz sínteses pessoais que plasmam sua história. Eis a abertura.

Os mestres recomendam que o aprendiz deva buscar um equilíbrio entre o enraizamento e a abertura, pois se ele se fechar no enraizamento prejudica a abertura. E se ele se abre em demasia, esquecendo as raízes, se aliena e perde a identidade. Para que haja este equilíbrio é necessário incorporar a morte na existência. Pois a existência é uma cadeia de mortes e vidas novas.

O mestre Leonardo Boff nos brinda com um pedagógico exemplo desta cadeia: Amo a família dos meus pais, minha família (enraizamento). Todavia, chega o momento que devo me desapegar dela (abertura). Devo morrer para a minha família. Caso contrário, não faço o meu caminho pelo mundo e não crio a minha própria família. Assim, depois de morrer para a minha família original, ressuscito para uma nova relação com ela.

Semelhantemente, o iniciado na Ordem Maçônica morre para a sua antiga família para poder ressuscitar para uma nova e rica relação com ela baseada no amor vivenciado pelos irmãos maçons na legenda: liberdade, igualdade e fraternidade.

Estes são exemplos que revelam a relação morte e vida. Todavia, embora importantes, eles apenas anunciam o desvendar do mistério contido na canção da Paz do Francisco de Assis.

Lembremos que com a páscoa física sem retorno é propiciada a abertura para o SER; da morte ressuscita-se para uma nova forma de presença no universo, com a possibilidade de uma vida eternamente voltada para o SER. Nesta visão é possível acolher a morte como uma irmã, como uma invenção inteligente da própria vida, como o caminho de ser Um com o SER.

9.  As diferentes espécies de amor

Nós sabemos que há diferentes espécies de amor. Então, perguntamos: Qual relação amorosa estamos tratando neste nosso encontro?

Para esclarecer a nossa resposta vejamos o breve diálogo entre Jesus e Pedro.

Jesus pergunta a Pedro: Tu me amas? (Amor ágape)

Pedro responde: Senhor, tu sabes que eu te amo. (Amor Plileo)

No texto grego original há duas grafias para a palavra amor evocada. Na pergunta de Jesus é utilizada ágape. Na resposta de Pedro a palavra é Plileo.

Ágape é amor gratuito, que não espera retorno.

Plileo é um amor que espera alguma coisa em troca. Na escolha de diferentes palavras o evangelista quis mostrar que Pedro ainda não havia alcançado o nível do amor ágape. Isto porque, há diferentes níveis de consciência e há, também, diferentes níveis de amor.

Inicialmente há o amor Porneia. Este amor é da criança pela mãe. Um amor de fome, de apetite. Um amor de necessidade. Este tipo de amor é normal, é bonito em uma criança. Mas, não tanto bonito e normal em um adulto, porque, neste caso, é um amor de consumismo.

Em seguida vem o amor Eros, que é a fascinação pelo que é belo. Ama-se um corpo que é belo pela alma que o habita. Eros é o amor desejo. O desejo de alguém que falta, em direção a alguém que possui.

Após vem amor Plileo que é um amor amizade, um amor de troca. Não é o amor de um inferior por um superior. É um amor de igual para igual. É um amor de fraternidade.

É o amor para o qual Jesus, inicialmente, convida os seus discípulos, para que nenhum domine o outro, para que fossem irmãos e irmãs. Este é um amor de adulto, de troca. Espera-se que o outro nos dê o que nós lhe damos.

Assim: Porneia é um amor de bebê; Eros é um amor adolescente e Plileo é um amor adulto.

Agora vem o nível mais alto: Ágape. Que é o amor que Jesus anuncia ao mundo. É um amor novo para muita gente, ainda hoje. Porque, reconhecemos, é difícil acreditar que alguém nos ame gratuitamente.

Muitos ainda afirmam que: ama-se para ser amado. Não é o outro, por ele mesmo que nós amamos. Nós amamos pra sermos amados. Nós amamos nos sentir amados. 

No nível de amor proposto na palavra ágape há outra dimensão. É o que o Apóstolo João nos revela quando afirma que Deus é amor, e que aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele. É o amor que quanto mais se dar mais se tem. É a chama ardente, que ilumina, mas não queima. É desse amor que nós reconhecemos como o existente nos bem amados irmãos aqui presentes.

10.            Conclusões

O iniciado no Grau do Cavaleiro Rosacruz no Rito Adonhiramita é um maçom que atualiza, a cada sessão mística, a gnose da ritualística como chave para a elevação da sua alma, no espirito da entrega sacramental do pão e do vinho, ao Reino das Ideias Justas e Perfeitas, em que prevalece a ágape.

MI Hiran de Melo, Cav Rosa-Cruz e Cav Noaquita do Rito Adonhiramita

Lagoa Seca, 01/10/2019.

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