Iniciação, Evasão e o Sentido da Jornada Maçônica A evasão como sintoma Por Hiran de Melo A evasão maçônica não deve ser compreendida apenas como um índice estatístico de desligamentos. Ela é, sobretudo, um sintoma de um processo iniciático que, em muitos casos, não consegue cumprir sua função transformadora. Quando o ingresso na Ordem se limita a uma experiência ritualística superficial, sem acompanhamento consistente, o neófito tende a se afastar, seja por desilusão, seja por incapacidade de encontrar sentido prático naquilo que vivenciou. Esse fenômeno revela que a evasão não é apenas responsabilidade do iniciado, mas também da instituição que o acolhe. A Loja, ao falhar em oferecer condições adequadas de iniciação e de integração, compromete a permanência e a vitalidade de seus membros. A iniciação como experiência de ruptura A iniciação maçônica é concebida como um rito de passagem que convida o indivíduo a transcender sua condição ord...
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Luz que não disputa altares Por Hiran de Melo Introdução – O impacto do olhar que vigia e julga Ao adentrar os Mistérios da Maçonaria e receber a plenitude do grau de Mestre Maçom, deparei-me não apenas com símbolos, ritos e silêncios, mas também com a multiplicidade de discursos que tentam aprisionar a Ordem em definições estreitas. Muitos textos que circulam fora dos muros do Templo falam sobre a maçonaria sem jamais terem falado a partir dela. Classificam, rotulam, enquadram. E, ao fazê-lo, produzem mais vigilância do que compreensão. Grande parte dessas leituras nasce de uma premissa reducionista: a de que tudo aquilo que utiliza rito, símbolo e linguagem do sagrado deve necessariamente ser religião formal. Essa leitura, comum em abordagens apologéticas cristãs, ignora deliberadamente os próprios textos maçônicos e silencia aquilo que mais incomoda: o fato de que a maçonaria não reivindica o monopólio da verdade, mas convida ao trabalho permanente sobre si. Sobre ...
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Interpretações equivocadas e o desvelamento na jornada maçônica Por Hiran de Melo Introdução A maçonaria, frequentemente analisada de forma reducionista, é muitas vezes confundida com uma religião formal. Críticos externos tendem a interpretar seus ritos e símbolos como práticas confessionais, ignorando que, para o Maçom, tais elementos são instrumentos de desvelamento — o ato de retirar o véu da superficialidade e revelar a verdade como experiência vivida. Essa perspectiva permite compreender que a jornada maçônica não é apenas uma filosofia abstrata, mas um caminho existencial que convida o iniciado a transformar sua vida em obra autêntica. A natureza da maçonaria e o desvelamento Classificar a maçonaria como religião é uma leitura limitada. A Ordem se entende como uma escola de moral e filosofia simbólica, que utiliza elementos universais para conduzir o iniciado ao desvelamento de si mesmo . O ensino maçônico não se dá por discursos acadêmicos, mas pela vivência ...
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Que Nunca Nos Faltem Irmãos Toleráveis Prancha de Arquitetura Simbólica sobre o Convívio em Loja Por Hiran de Melo Ao transpor o Portal do Tempo , quando os anos já me ensinaram o valor do silêncio, percebo que ele se assenta no Templo interior como um Irmão veterano , daqueles que falam pouco, mas sustentam muito. Contudo, ao adentrar a Loja, aprendo que o silêncio absoluto não é virtude isolada: ele precisa conviver com o som vivo da Obra coletiva. Na Loja em que trabalho, os muros não são paredes , mas limites simbólicos. Eles se erguem como Colunas invisíveis que não se destinam a separar, mas a ordenar. Ainda assim, são porosos: por eles atravessam o sopro da vida, o eco das vozes, o ruído inevitável do humano em construção. Nenhum Irmão é senhor absoluto do próprio sossego quando pisa o Pavimento Mosaico. O vento que circula no Templo — esse obreiro invisível — traz consigo sinais do outro: o ritmo apressado de quem chega cedo, o compasso irregular de quem ainda a...
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Diálogo entre Aprendiz e Mestre - Reflexões sobre Humildade e Coragem Hiran de Melo Aprendiz Maçom: Amado Mestre, percebo que aprender com os erros não é algo automático. Só cresce quem se abre de verdade para a lição que eles trazem. É como a pedra bruta: precisa ser tocada pelo cinzel da humildade e pela força da coragem para revelar sua forma mais nobre. Mestre Maçom: Muito bem observado, Amado Aprendiz. Vivemos em um mundo cheio de certezas prontas, e isso torna difícil abrir espaço para o questionamento. Mas é justamente no atrito das ideias que surge o brilho da luz interior. O trabalho do pensamento é como o labor no Templo: exige paciência, disciplina e fé na construção. Aprendiz Maçom: Eu mesmo só consegui avançar quando decidi enfrentar minhas próprias barreiras. Foi um caminho longo, cheio de desafios, mas cada passo me fez sentir que estava lapidando a pedra que carrego dentro de mim. E, pouco a pouco, percebi que o esforço vale a pena. Mestre Maçom: ...
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Somente Você Only You – The Platters Só você pode fazer este mundo parecer certo Só você pode fazer a escuridão brilhar Só você, e apenas você, Pode me encantar como você faz E encher meu coração Com um amor só para você Só você pode provocar Toda essa mudança em mim Pois é verdade: Você é o meu destino Quando você segura minha mão, eu entendo A magia que você faz Você é meu sonho realizado Minha única e só você Só você pode provocar Toda essa mudança em mim Pois é verdade: Você é o meu destino Quando você segura minha mão, eu entendo A magia que você faz Você é meu sonho realizado Minha única e só você Única e só você A experiência do “ser” no mundo Uma leitura simbólica de “Somente Você” à luz da vivência maçônica Por Hiran de Melo À primeira vista, a letra parece falar de um amor humano, simples e profundo. No entanto, quando olhada com olhos simbólicos, ela revela um sentido mais oculto e iniciático. O “somente você”, aqui, pod...
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Igreja e Maçonaria - entre a Unidade Viva e a Pluralidade Criadora Por Hiran de Melo A reflexão que propõe a Igreja como “casa de todos” não se limita a um debate interno da fé cristã. Ela toca uma questão mais profunda, que atravessa a história das instituições humanas: como construir unidade sem sufocar a diferença? Nesse ponto, o diálogo simbólico com a Maçonaria surge não como provocação, mas como oportunidade de compreensão mais ampla do humano em sua busca de sentido, verdade e comunhão. Tanto a Igreja quanto a Maçonaria nascem do reconhecimento de que o ser humano não se realiza no isolamento. Ambas são respostas distintas a uma mesma inquietação: a necessidade de formar comunidade sem perder a singularidade. Quando a Igreja é compreendida como espaço de comunhão e não de uniformidade, ela se aproxima de uma intuição fundamental da tradição maçônica: a ideia de que a harmonia não nasce da igualdade forçada, mas do ajuste vivo entre diferenças. A crítica à lógica da...