A Lenda de Hiram – Capítulo 9
Fundamentos Místicos
Resumo
O artigo explora os fundamentos místicos da
Maçonaria Adonhiramita, com um foco especial no simbolismo solar e na lenda de
Hiram. O autor estabelece conexões entre as
tradições místicas judaica e cristã, e a cosmovisão maçônica, destacando a
importância do Logos como princípio ordenador e unificador. A figura de Hiram é
identificada com Osíris, e a Loja com Isis, estabelecendo uma correspondência
entre a mitologia egípcia e os rituais maçônicos. A palavra perdida de Hiram é
apresentada como um símbolo do conhecimento esotérico e da busca pela
iluminação espiritual.
Palavras-chave: Maçonaria Adonhiramita, ritos
solares, Hiram, Osíris, Isis, Logos, mística, simbolismo, iniciação,
iluminação.
Introdução
No
nordeste do Brasil não existe o inverno com neves. Muitos de nós nordestinos só
conhecemos a neve por fotos, por filmes ou pela Televisão. Apesar deste
desconhecimento, sabemos da importância dos ritos solares, presentes em
diversas culturas, como expressão de nossa busca por significado e harmonia com
o cosmos. E assim, é fácil compreender o valor do rito solar praticado nas
sociedades esotéricas que cultivam os Mistérios.
Tradições místicas
A
mística cristã, em sua busca pela experiência do divino, encontra eco nas
tradições mais antigas. A figura do Logos, presente tanto no pensamento grego
como nas Escrituras Hebraicas, é fundamental para compreender a criação e a
ordem cósmica. O Evangelho de João, ao afirmar que 'No princípio era o Verbo',
revela a importância do Logos como princípio ativo e ordenador, presente desde
a criação. Essa mesma ideia, de um princípio unificador e inteligente por trás
de toda a realidade, encontra ressonância na tradição mística judaica, onde a
sabedoria divina (Hokmah) é vista como a força que organiza e dá sentido ao
universo.
Maçonaria Adonhiramita
A Maçonaria Adonhiramita fundamenta sua cosmovisão na manifestação divina
através de uma trindade: o Pai, o Grande Arquiteto do Universo, o Filho, o
Logos, e o Espírito Santo. Para o Maçom Adonhiramita, a compreensão do mundo e
da própria existência passa pela revelação simbólica. Através de símbolos
inspirados na tradição egípcia e nos ritos solares, o iniciado é convidado a
desvendar os mistérios da criação e a reconhecer sua própria natureza divina. O
Logos, como princípio ordenador e unificador, revela a fraternidade entre Deus
e o homem, enquanto o Espírito Santo transforma o maçom em um templo vivo do
Divino.
O Templo
O
templo maçônico, frequentemente chamado de Loja, é muito mais do que um simples
edifício. É um espaço sagrado onde os maçons se reúnem para atualizar o mito da
criação e reviver a lenda de Hiram (no caso do Rito Adonhiramita, identificado com
Adoniram). Inspirados em ritos solares e na mitologia egípcia, os rituais
maçônicos transformam o templo em um microcosmo do universo, onde o iniciado
pode empreender uma jornada simbólica em busca da luz e da verdade.
A Dinâmica da loja Aberta
A
identificação de Hiram com Osíris, de Isis com a Loja e de Horus com o iniciado
revela a profundidade do simbolismo maçônico, que conecta o indivíduo ao cosmos
e à tradição iniciática.
Os
trabalhos se iniciam quando o sol (Osíris, Mestre Hiram) vivifica os obreiros e
lhes oferece a direção do oriente. E desde modo no final dos trabalhos cada
maçom (Horus) está pronto para testemunhar a ressurreição dos ideais da Ordem
Maçônica - levar a luz a onde há trevas (o caos).
No
final da atualização do mito, a Loja (Isis, o cosmo) é a viúva que não mais
chora a morte do Sol, pois sabe que ele renasce no novo dia. E que nesta cadeia
de vida e morte e de morte e vida, é preciso que morra o homem velho (o
profano) para que viva o homem novo (o maçom, o sagrado).
Em
loja aberta o Venerável Mestre simboliza o Mestre Hiram orientando os trabalhos
dos obreiros na construção do Templo (a nova Jerusalém interior e celestial),
dedicados à glória da Sabedoria. Assessorado por dois Vigilantes (Luzes no
Ocidente) nas colunas da Beleza e da Força, respectivamente.
Sessão Magna
Na
sessão magna dedica à exaltação do novo mestre (de Horus) ensina-se, de forma
alegórica, que a entrada e a saída da existência no cosmo são guardadas pelo
terrível mistério da morte. Esta instrução simbólica objetiva ativar um coração
inteligente. Ensino semelhante ao oferecido quando o candidato ao grau de
aprendiz é colocado na câmara de reflexão - simbolicamente enterrado no seio da
terra. Nestes procedimentos a revelação do segredo tem como meta propiciar as
condições mínimas para um encontro do iniciado com o numinoso.
Depois
do anúncio da morte do Mestre Hiram, uma coluna de obreiros descobre o túmulo
provisório. Nele encontra-se um ramo de acácia para identificá-lo. Encontra
também a certeza de que a palavra de mestre não foi revelada aos que não
possuíam méritos para portá-la.
A Palavra Perdida
A
palavra perdida, só será encontrada por aquele que for um verdadeiro mestre. A
este respeito o mestre Papus testemunha “a certeza de que todo sacrifício é a
chave de uma floração futura, é o ramo de acácia que guiará os irmãos para o
túmulo daquele que se sacrificou por eles”.
Acredita-se
que Elias Ashmole tenha sido um dos primeiros a introduzir a lenda de Hiram na
Maçonaria, resgatando antigos rituais solares e alinhando-os com os
ensinamentos maçônicos. Seguindo tradições pagãs e cristãs, Ashmole e outros
maçons associaram o nascimento de Cristo ao solstício de inverno, em 25 de
dezembro, data que marca o renascimento do Sol e simboliza a esperança de
renovação e luz.
Exortação
Amado
irmão, as chaves lhes estão dadas. Levanta e segue.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 26 de julho de 2010 da
Revelação do Cristo.
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