A Lenda de Hiran – Capítulo 7
A Rainha de Sabá
Resumo
O
artigo apresenta uma interpretação simbólica da visita da Rainha de Sabá ao rei
Salomão e à construção do Templo de Salomão. A narrativa se baseia em fontes
esotéricas e busca desvendar os significados ocultos por trás dessa história
bíblica. A rainha de Sabá é apresentada como uma figura em busca de sabedoria e
conhecimento, enquanto Salomão e Hiram representam a sabedoria real e a
maestria na construção, respectivamente. A figura de Hiram, o arquiteto, é
explorada em profundidade, sendo associado à sabedoria ancestral e à capacidade
de unir diferentes pessoas em torno de um objetivo comum. A esquadria, símbolo
da perfeição e da exatidão, é apresentada como um elemento central na obra de
Hiram e como um símbolo da busca pela harmonia e justiça.
Palavras-chave:
Rainha de Sabá, Salomão, Templo de Salomão, Hiram Abiff, esoterismo, maçonaria,
construção espiritual, sabedoria, harmonia.
Introdução
A
seguir, apresentaremos a visita da Rainha de Sabá, segundo Rosselis Von
Sass – no livro Sabá a Rainha das Mil Fragrâncias - conforme os traçados do
Mestre Ailton Elisário de Sousa.
Motivação
Atraída
pelos contos que pintavam Salomão como um rei sábio e piedoso, Belkiss, a
rainha de Sabá, embarcou em uma jornada épica. A descrição do magnífico Templo
que se erguia em Jerusalém, em honra ao Deus de Israel, acendeu em seu coração
a chama da curiosidade. Acompanhada de sua corte, a rainha atravessou vastas
distâncias para conhecer o lendário monarca. Ao chegar, foi recebida com grande
pompa e circunstância.
Do
alto do palácio, a rainha avistou a esplanada onde se erguia o Templo, uma obra
grandiosa que desafiava a imaginação. As colunas de mármore multicores, as
tamareiras carregadas de frutos dourados e a energia vibrante dos operários que
falavam todas as línguas do mundo a deixaram maravilhada.
O arquiteto do templo
A
rainha, com a curiosidade feminina que a caracterizava, indagou sobre o
enigmático arquiteto do templo.
Quem seria aquele homem capaz de
comandar uma orquestra de operários tão diversa e erguer uma obra tão grandiosa
aos olhos dos deuses?
Salomão,
com a sabedoria de um rei, revelou que Hiram era um presente do rei de Tiro, um
artista singular que dominava a linguagem da pedra. Seus operários, oriundos
dos quatro cantos do mundo, falavam línguas distintas, mas sob o comando
silencioso de Hiram, moviam-se como uma única alma, erguendo as paredes do
templo. No entanto, o maior segredo do mestre residia no conhecimento ancestral
para erguer as abóbadas, um conhecimento que somente ele possuía.
Sendo
apresentado a Rainha, Hiram, o mestre arquiteto, curvou-se diante de Belkiss,
beijando-lhe a mão com reverência. Em uma língua ancestral, compreendida pela
intuição da soberana, sussurrou: 'Vossa beleza, ó rainha, subjuga todos os
homens. Mas a realeza que coroa vossa fronte é um mistério que nem mesmo meus
operários, com toda a sua sabedoria, podem decifrar.
Em
seguida com um gesto preciso e elegante, elevou o braço direito. Sua mão,
estendida como uma régua invisível, traçou no ar uma linha horizontal perfeita.
A partir do centro dessa linha, ele traçou uma perpendicular, formando dois ângulos
retos – a emblemática esquadria, símbolo da perfeição e da exatidão.
Este
sinal, ó rainha, é a letra 'T', sagrada para os tírios. Através dele,
convocamos todos os homens a um propósito comum: a fraternidade.
Observe
como a multidão se agita, como formigas impulsionadas por um vento invisível.
Divisam-se em grupos e se reúnem em perfeita harmonia, como notas em uma
partitura cósmica.
Majestade,
somente pela harmonia conseguimos alcançar a beleza suprema: a paz entre os
povos.
Observe
as legiões se movendo como um único organismo, ora se expandindo, ora se
contraindo, guiadas por uma inteligência superior. Divididas em três corpos
principais, representam as diferentes etapas da construção: os mestres, os que
um dia o serão e os aprendizes que iniciam sua jornada.
A
terra tremia sob o peso de trezentos mil pés que avançavam em uníssono, como um
único coração pulsando. Esquadros, prumos, níveis, réguas, alavancas, macetas,
tralhas e colheres cintilavam ao sol, armas de um exército silencioso.
'Senhora',
explicou Hiram, 'o trabalho exige a quietude da alma.'
Salomão,
observando a multidão, sentia um misto de admiração e temor. 'Se uma faísca de
ira acendesse nesse mar de homens', pensava, 'tudo seria arrastado em um
turbilhão.'
Voltando-se
para Belkiss, exclamou: 'Senhora, o poder dos reis é frágil diante da força dos
povos unidos!'
Levantando
os olhos para o céu, Salomão, o filho de Davi, elevou uma súplica silenciosa a
Jeová: 'Senhor, nunca busquei ofender-Vos. Tende piedade dos reis.' Nesse instante,
a voz do Altíssimo ressoou em seu coração: 'Seja justo e nada temerá.'
Hiram,
percebendo a angústia do rei, curvou-se diante da rainha, seu sorriso radiante
como um raio de sol. 'Agradeço-vos, senhora, por sua bondade', disse ele, em
uma língua que apenas o coração feminino compreendia. 'O povo é como uma
criança: anseia por carinho e compreensão. Quando os reis aprenderem a governar
com gentileza, a felicidade reinará sobre a terra.'
Voltando-se
para o rei, cuja testa se encontrava franzida em preocupação, Hiram o abordou
com voz suave: 'Majestade, que possamos realizar esta obra em paz e harmonia.
Que, ao erguermos este templo à virtude e cavarmos as fundações da justiça,
possamos servir a Israel com devoção. Permita-nos, senhor, retornar aos nossos
afazeres.'
Salomão,
com o rosto mais sereno, indagou: 'E voltarão eles satisfeitos e contentes? -
Sim todos voltarão.
Com
um aceno de cabeça, os obreiros confirmaram. Hiram, o arquiteto, traçou no ar
as linhas de uma nova ordem, um símbolo de harmonia. A rainha de Sabá, em voz
melodiosa, acrescentou: 'Idem em paz'. A multidão, em perfeita sincronia,
repetiu as palavras, criando uma melodia que ecoava a beleza e a unidade da
criação.
Contemplando
a obra grandiosa, Salomão, com humildade, reconheceu: 'Há uma força maior que
me guia. Acima da minha condição de rei, está a ordem divina.' E, em um gesto
de profunda conexão, tocou a terra três vezes.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 28 de julho de 2010 da
Revelação do Cristo.
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