Além do Jardim – Capítulo 10

 

O perdão, quando bem compreendido, é um instrumento de cura. Frequentemente ficamos doentes porque não perdoamos e o rancor e a cólera nos corroem o fígado e os rins. A questão é como manter juntos o perdão e a justiça, (...) o olho da verdade e o olho da misericórdia. - Jean-Yves Leloup.

 

Tempo do perdão e da cura

 

Resumo

 

O artigo explora o tema do perdão e da cura, relacionando-o com as celebrações de fim de ano e com a figura de Jesus Cristo. O autor estabelece uma conexão entre a história de Jesus e a experiência humana do sofrimento e da necessidade de perdão. O texto destaca a importância do perdão como um ato de libertação e cura, tanto para quem perdoa quanto para quem é perdoado. O autor argumenta que o perdão não significa conivência com o mal, mas sim a decisão de não permitir que o sofrimento passado determine o futuro.

 

Palavras-chave: perdão, cura, Natal, Jesus Cristo, sofrimento, libertação, espiritualidade.

 

Noite de Natal

 

À medida que a noite mais longa do ano se aproxima no hemisfério Norte, as luzes de todas as tendas se acendem e as famílias festejam a proximidade do domínio do sol e da vida.

 

Noite de velas acessas, de palavras meigas e de comidas deliciosas. O melhor é oferecido. Em muitos lugares, a hospitalidade renasce. No céu, as estrelas cintilam.

 

Aqueles que alcançaram vitórias celebram, agradecendo ao Ser pela boa sorte. Os demais se enchem de esperança e agradecem ao Ser pela futura graça que hão de receber.

 

A graça repousa no reconhecimento de que o Ser se fez criança e assumiu a condição humana. Precisou dos cuidados maternos, da proteção paterna e, como qualquer criança, brincou e sorriu. Amou a todos nós e se revelou nosso irmão. Assim, em qualquer situação – alegria ou sofrimento –, podemos elevar os olhos ao céu e agradecer nossa condição de filhos de Deus.

 

Derramou tanto amor que causou desconforto nos Doutores da Lei. Para eles, a misericórdia era algo a ser concedido em um dia específico, e somente após um julgamento. Para o nosso Irmão não há como julgar. Todos são merecedores do Perdão do Pai. Para isso, basta voltar-se para Ele e reconhecer-se como filho no Filho.

 

O Perdão

 

O homem é incapaz de perdoar, já ensinavam os Doutores da Lei. Esta é uma prerrogativa do Ser. Diante desse ensinamento, só havia duas opções: reconhecer a divindade no Irmão ou condená-Lo à morte.

 

Os Doutores da Lei, que apreciavam os sacrifícios de cordeiros inocentes no Templo Sagrado ao Deus Único, escolheram oferecer ao Irmão a justiça do império. E esta, sem pretender julgar, devolveu ao povo a escolha: a guerra ou a paz. Conhecemos a escolha e sabemos que se deu no tempo da festa sagrada.

 

E o Cordeiro de Deus foi elevado de braços abertos. Nesta dolorosa posição, ouviu a prece do criminoso arrependido, crucificado a seu lado, e lhe garantiu hospedagem na casa do nosso Pai. Depois, entregou o seu destino nas mãos de quem sempre confiou.

 

Lembrar a morte no dia de celebrar a vida é um escândalo para os Doutores da Lei, mas é muito simples e natural para quem acredita no perdão do Pai e na ressurreição do Filho como o caminho.

 

É natural que não consiga perdoar imediatamente a quem me causa dor. Concordo com os Doutores da Lei, a capacidade de perdoar não é algo que todos possuem. Há antes a necessidade de expressar o sofrimento pelo que estou passando.

 

Concordo com o mestre Jean-Yves Leloup que é necessário começar sempre pela justiça, exigindo que seja reconhecido o mal que foi feito, o inaceitável de certas situações e de certas violências. Todavia, posso orar ao Pai, pedindo que Ele perdoe o malfeitor. E ao fazer isso, recebo a cura para as minhas feridas.

 

Com a chegada da noite mais longa do ano, as luzes das tendas se acendem, e as famílias celebram a iminente volta do sol e da vida. Agradeço por tudo de bom e desejo o mesmo a todos os seres.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 22 de dezembro de 2010 da Revelação do Cristo.

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