Além do Jardim – Capítulo 6
“No princípio Deus criou o céu e a
terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento
de Deus pairava sobre as águas.” Livro da Lei
.
Atualização do Mito da Criação do Cosmo
Resumo
O
artigo apresenta uma visão ritualística e simbólica da criação, baseada em
práticas maçônicas. Através da análise de um ritual maçônico específico, o
texto explora a relação entre o ato de criação e a experiência individual do
maçom.
O
ritual da abertura da Loja é descrito em detalhes, com foco nos símbolos e
gestos utilizados. O incenso, a luz e a leitura da Lei são interpretados como
elementos que evocam a criação divina e conectam o maçom à fonte primordial de
toda a vida. A atualização do mito da criação ocorre através da participação
ativa do maçom no ritual, colaborando na construção de um mundo mais justo e
perfeito.
Palavras-chave:
Maçonaria, ritual, criação, simbolismo, incenso, luz, Lei, atualização do mito.
Abertura dos Trabalhos
O hino
que ecoava na abertura do Templo silencia. Um silêncio absoluto envolve os
obreiros, em profunda introspecção. Cada obreiro ocupa seu lugar, pronto para o
ritual.
O
Venerável Mestre, com um golpe de malhete, anuncia: "Em Loja, meus
Irmãos."
A
mesma vibração ecoa nas Colunas do Sul e do Norte, com os Vigilantes repetindo:
"Em Loja, meus Irmãos."
Do
altar dos perfumes, o Mestre de Cerimônias, portando um turíbulo, recebe do
Venerável Mestre três pitadas de incenso.
É
a hora de perfumar o ambiente com Rosa ou Benjoim. É a hora dos olhos fechados
e de múltiplos incensar. Cada ato consiste em três incensar.
O
Mestre, em sua tarefa sagrada, incensa as luzes, o espaço e os obreiros,
proclamando a cada passagem pelas três colunas: Sabedoria, Força e Beleza.
Ao
final, solicita a graça: "Que a Paz reine em nossas colunas!"
E
a assembleia responde em uníssono: "Que assim seja!"
Essa
resposta confirma o êxito da missão do Mestre de Cerimônias. Ele atua como um
sacerdote, consagrando o ar que todos respirarão. Esse ar perfumado simboliza o
sopro vital, recebido por cada obreiro da Fonte Eterna da Vida. Purificado e
sagrado, esse ar representa o sopro primordial que animou Adão e o vento divino
que pairava sobre as águas no início da criação.
Do
Oriente, a luz de uma vela, símbolo do Fogo Eterno, ilumina o Templo. O Mestre
de Cerimônias, portando outra vela, ora diante do símbolo: "Com a graça do
Grande Arquiteto do Universo, acendo-a."
Em
seguida, leva a chama sagrada para iluminar os altares da Loja, invocando a
Sabedoria para guiar nossos trabalhos, a Força para nos auxiliar e a Beleza
para abençoar nossa obra.
É
hora de abrir a Loja. Para isso, devemos verificar se: a Loja está coberta; todos
os obreiros presentes são maçons; os representantes das Luzes da Loja estão cientes
de suas obrigações; estamos no exato meio-dia.
Com
tudo em ordem, é tempo de ouvir a palavra de Deus na leitura do Livro da Lei.
Com
os símbolos sagrados à vista, cada irmão relembra a energia do Vivente e renova
sua conexão com o mito da Criação. Assim, em sintonia com a palavra divina,
proclamamos: "Haja Luz!"
E
houve luz.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 12 de dezembro de 2010
da Revelação do Cristo.
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