Além do Jardim – Capítulo 3
O que deve saber um Mestre Maçom
Resumo
Neste
texto, o autor enfatiza a importância do simbolismo maçônico, especialmente da
ágape, como um momento de reflexão, conexão e fortalecimento dos laços
fraternos. O autor argumenta que a jornada maçônica é um processo de constante
aprendizado e aperfeiçoamento, que exige a união entre o alimento espiritual e
o material. O Mestre Maçom deve buscar o aprofundamento de sua fé e o
desenvolvimento da tolerância em relação às crenças alheias. O autor conclui
que a verdadeira essência da Maçonaria reside na busca pela verdade e na
construção de um mundo mais justo e fraterno.
Palavras-chave:
Maçonaria, Papus, conhecimento, simbolismo, ágape, fraternidade,
espiritualidade.
Introdução
A
obra de Papus 'O que deve saber um Mestre Maçom' oferece uma valiosa
contribuição para a compreensão da Maçonaria. O autor esclarece as falsas
concepções sobre a Ordem e destaca a importância da busca pelo conhecimento.
Papus divide os maçons em duas categorias: aqueles que buscam a compreensão e
aqueles que buscam benefícios pessoais. Estes últimos, com o tempo, percebem
que a Maçonaria tem um propósito mais elevado.
Na
época de Papus, as críticas à Maçonaria emanavam, sobretudo, dos círculos
eclesiásticos, que se concentravam em desqualificar os rituais e símbolos da
Ordem. Tais críticas, fundamentadas no desconhecimento da causa maçônica, foram
eficazmente refutadas pela erudição e autoridade de Papus.
Em
nossos dias, uma nova forma de oposição à Maçonaria emerge de seu próprio
interior. Maçons que, após aderirem a determinadas denominações evangélicas,
passam a combater a Ordem, apresentando acusações fantasiosas e desprovidas de
fundamento.
Essa
nova onda de calúnias, embora não apresente a sofisticação intelectual das
críticas do passado, é mais insidiosa por se apresentar como testemunho de maçons
(mesmo sendo irregulares). A acusação recorrente de práticas satânicas é um
exemplo claro dessa deturpação da verdade maçônica.
Em
vez de combater aqueles que nos caluniam, é mais produtivo reconhecer que, em
alguns casos, acolhemos irmãos que, por falta de discernimento, não compreendem
a verdadeira natureza da Maçonaria. A frustração decorrente da não realização
de expectativas pessoais e a incompreensão dos ritos e símbolos podem levá-los
a adotar uma postura hostil. Citemos, a título de exemplo, o ágape.
Simbolismo do Ágape
O
ágape, para o maçom, transcende a mera satisfação da fome. É um ritual sagrado,
um momento de introspecção e conexão com os valores fundamentais da Ordem.
Nele, a fraternidade é nutrida, a espiritualidade é fortalecida e a busca pela
perfeição é reafirmada.
A
mesa do ágape, mais do que um local de refeição, representa a igualdade entre
todos os irmãos. Ao redor dela, as distinções sociais se dissolvem, dando lugar
à união e à partilha. O pão e o vinho, alimentos básicos e universais,
simbolizam a comunhão e a vida.
A
partilha do alimento, nesse contexto, vai além da satisfação física. É um ato
de generosidade que reflete a necessidade de compartilhar não apenas bens
materiais, mas também conhecimentos, experiências e afeto.
O Ágape e a Transformação Interior
Mais
do que um banquete, o ágape é um momento de transformação interior. É nesse
espaço sagrado que o maçom se conecta com os princípios da Ordem, aprofundando
sua compreensão sobre si mesmo e sobre o mundo. A reflexão sobre os valores da
fraternidade, da tolerância e da busca pela verdade torna-se mais profunda e
significativa.
A
Maçonaria exige a união entre o alimento espiritual e o material. A ausência
desse momento de comunhão fragiliza os laços fraternos e impede a nutrição
espiritual dos membros. A ausência do ágape e a pressa em nossas sessões
comprometem essa união. A falta de interesse de muitos maçons em aprofundar
seus estudos após o grau de Mestre contribui para essa superficialidade.
Propomos
um critério simples para avaliar o progresso espiritual do Mestre Maçom: a fortificação de suas raízes religiosas
e o desenvolvimento da tolerância em
relação às crenças alheias.
Se
o ingresso na Ordem contribuiu para o aprofundamento de sua fé e para uma maior
abertura para as diversas manifestações espirituais, o Obreiro encontra-se no
caminho da Maçonaria.
O
Mestre Maçom, em sua jornada iniciática, deve reconhecer-se como um eterno
aprendiz, preservando a capacidade infantil de maravilha-se com novas
descobertas e a disposição constante para aprender. Assim como a criança, que se encanta com o mundo e busca incessantemente novos conhecimentos, o
Mestre Maçom deve manter viva a chama da curiosidade e da busca pela verdade.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 2 de dezembro de 2010
da Revelação do Cristo.

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