Além do Jardim – Capítulo 9


O Símbolo da Chama Sagrada

 

Resumo

 

O artigo explora o simbolismo da Chama Sagrada nos rituais maçônicos, relacionando-o com a jornada iniciática do maçom. Através da análise de um ritual específico, o texto demonstra como a Chama Sagrada representa a luz divina, a busca pela perfeição e a transformação interior do iniciado. O adormecimento da Chama Sagrada ao final dos trabalhos simboliza a morte do “eu” inferior e o renascimento do iniciado, mais próximo da sua perfeição espiritual. O artigo destaca a importância da prática maçônica para o desenvolvimento pessoal e social, enfatizando a necessidade de levar os ensinamentos da Ordem para o mundo profano.

 

Palavras-chave: Maçonaria, Chama Sagrada, ritual, jornada iniciática, transformação, iluminação, perfeição.

 

O templo em silêncio

 

Doze vibrações ecoam pelo Templo, sinalizando a conclusão do labor diário dos Aprendizes. Situados na área menos iluminada, em virtude de seu grau iniciático, dedicaram-se ao árduo trabalho de desbastar a pedra bruta. A elevação ao grau de Companheiro, com as respectivas prerrogativas, ocorrerá após três anos de estudo e aprimoramento.

 

À meia-noite, o Templo se envolve em um profundo silêncio, propício à introspecção e à comunhão com o Grande Arquiteto do Universo. O ritual de oração e a formação da Cadeia da União seguem, como tradição, para expressar gratidão pelas bênçãos recebidas e elevar novas súplicas.

 

Sob a proteção do pálio formado por três mestres, o Guarda da Lei, em ato solene, procede ao arquivamento do Livro da Lei.

 

Ao som das melodias de Mozart, o Mestre de Cerimônia, em ato simbólico, inicia o processo de extinção das velas nos três altares, retornando a luz individual ao crisol da Chama Sagrada. Cada vela, reflexo da Luz Divina, testemunha a busca pela Iluminação, assim como João Batista precedeu a vinda do Filho de Deus.

 

Segundo Vigilante: "Extinta a chama em meu altar, invoco que a Luz da Beleza Divina continue a irradiar nossos corações, inspirando-nos à busca constante da perfeição moral."

 

Primeiro Vigilante: "Com o apagar desta vela, rogo que a Força da Virtude permaneça atuante em cada um de nós, impulsionando-nos na senda do progresso espiritual."

 

Venerável Mestre: "Extinta a chama em meu altar, invocamos a Sabedoria Divina para que ilumine nossas mentes e corações, guiando-nos na busca incessante da Verdade."

 

Declaração final: "Em nome do Grande Arquiteto do Universo e sob a égide de São João, nosso patrono, encerramos os trabalhos desta Loja de Aprendizes. Que a Luz da Sabedoria nos acompanhe em nossas jornadas, lembrando-nos sempre da impermanência das coisas terrenas e da eternidade da Luz."

 

O golpe do malhete, ecoando do altar do Venerável Mestre, seguido pelos toques responsivos dos vigilantes, encerra solenemente os trabalhos desta noite. Em paz e harmonia, retiremo-nos deste recinto sagrado.

 

Com os corações repletos de esperança e vibrando em uníssono, os Irmãos se retiram. A perspectiva de cada um devse aperfeiçoar em seus papéis de amigos, filhos, pais e companheiros, impulsiona a Ordem em sua missão de construir um mundo mais justo e fraterno. A efetividade da nossa instituição reside na conduta exemplar de cada um de seus membros.

 

No mundo profano, a Ordem se manifesta através da ação concreta de cada um de seus membros. O Templo, por sua vez, representa o cosmo sagrado, onde traçamos o itinerário rumo a uma sociedade mais justa e perfeita.

 

A jornada maçônica é um processo iniciático, comparável à ascensão de uma escada. A cada degrau superado, o iniciado experimenta uma morte simbólica, renascendo transformado e mais próximo de sua perfeição espiritual.

 

Ao adentrar o Templo, o obreiro vivencia um renascimento simbólico, representado pelo acendimento das velas. Ao final dos trabalhos, a extinção das mesmas simboliza a morte do 'eu' inferior, dando lugar ao 'eu' renovado. Assim, a Loja devolve à sociedade homens e mulheres mais iluminados, portadores da Luz Divina.

 

Após a partida dos Irmãos, três mestres sagrados permanecem no Templo para cumprir a solene missão de adormecer a Chama Sagrada. No silêncio reverente do recinto, elevam uma súplica ao Grande Arquiteto do Universo.

 

"Que o Grande Arquiteto do Universo, em Sua infinita misericórdia, nos conceda a graça de preservar a Chama Sagrada em nossos corações, mesmo quando adormecida no Templo."

 

"Assim seja."

 

Exortação

 

Amados Irmãos, a experiência maçônica, especialmente no âmbito do Rito Adonhiramita, nos proporciona momentos de profunda reflexão e crescimento espiritual. No entanto, a verdadeira essência maçônica transcende os muros do Templo, manifestando-se em nossas ações cotidianas. Que nossa conduta exemplar ilumine os caminhos profanos, transformando cada ambiente em um reflexo do sagrado.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 13 de dezembro de 2010 da Revelação do Cristo.

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