Do Profano ao Sagrado – Capítulo 08
A Casa e a Rua
O presente trabalho pretende ser uma referência à leitura esotérica de um
texto laico.
Ao sair de casa e
adentrar na rua, a pessoa se expõe a uma variedade de situações, desde as mais
agradáveis até as mais desafiadoras. A razão é simples: a rua é um espaço
público.
Leitura esotérica: Ao abandonar o
santuário doméstico e aventurar-se no mundo exterior, o peregrino da alma
embarca em uma jornada repleta de mistérios e desafios. A rua, como um caminho
iniciático, oferece infinitas oportunidades para o crescimento espiritual.
Nela, o indivíduo encontrará tanto a compaixão quanto a indiferença, a beleza e
a feiura, a luz e a sombra, tudo a serviço de sua evolução.
A diversidade de
encontros na rua provoca o medo, mas também a sensação de superação e
crescimento. Não há desenvolvimento sem risco.
Leitura esotérica: Assim como o herói
mítico que se aventura em terras desconhecidas, o indivíduo que se aventura
pela cidade enfrenta desafios que o impulsionam a transcender seus limites. O
medo, nesse contexto, é o dragão que guarda o tesouro do autoconhecimento, e a
coragem, a espada que o vence.
Outro fato que se encontra presente na cultura brasileira é a inversão do que é
próprio para a casa e o que é da rua. A casa como espaço privado é lugar
permitido para a ampla manifestação do ser da pessoa. Na rua - lugar coletivo -
deveria ser o contrário, nela a pessoa deveria respeitar ao máximo o limite do
outro. Todavia, observa-se o contrário. A casa é sagrada e a rua é profana e
como tal tudo é permitido: jogar lixo no chão, cuspir, falar alto, dizer
palavrão, contar piadas para quem queira ou não ouvir, etc. Enfim, tudo que não
se faz normalmente em casa.
Leitura esotérica: A inversão entre o
sagrado e o profano, tão evidente no espaço urbano, reflete o desequilíbrio
interior do homem contemporâneo. A casa, que deveria ser o templo interior,
onde a alma se refugia para se regenerar, tornou-se um mero refúgio material. A
rua, por sua vez, que deveria ser o local de interação e troca, tornou-se um
campo de batalha onde as paixões mais baixas se manifestam. Essa inversão
alquímica impede a transmutação da matéria em ouro espiritual.
As Listas de discussão
As listas de
discussão, como espaços públicos, são palco de uma ampla gama de opiniões e
discussões. A diversidade é sua marca registrada, mas a distinção entre o que é
público e o que é privado deve ser preservada. Assuntos mais íntimos devem ser
reservados para aqueles com quem temos uma relação de confiança.
Leitura esotérica: A lista de discussão é
semelhante à praça da cidade antiga, onde os cidadãos se reuniam para trocar
ideias e notícias. Assim como na Ágora, onde as vozes se elevavam em um coro
caótico, a lista de discussão é um espaço de livre expressão, onde a verdade
emerge do confronto de ideias. No entanto, assim como a mitologia nos ensina, o
excesso de liberdade pode levar ao caos, se não for temperado pela sabedoria.
Dizem que mesmo
em sociedade tolerante, a hipocrisia é vista como um sinal de civilidade. Falar
mal de alguém pelas costas e agir de forma diferente na frente é um exemplo
claro disso. No entanto, essa prática não é adequada em um ambiente de
discussão online.
Leitura esotérica: A máscara social,
forjada nos alicerces da hipocrisia, é uma alquimia perversa que transforma o
ouro da autenticidade em chumbo da falsidade. Nas relações interpessoais, a
hipocrisia é como um véu que obscurece a verdade, impedindo a verdadeira
conexão entre os seres. Nas listas de discussão, esse véu se torna ainda mais
tênue, revelando a verdadeira natureza das almas.
Uma proposta
defensável é olhar para o que cada um tem de melhor. Afinal, quem distribui
panfletos hoje defendendo uma causa, amanhã pode estar engajado em outra causa profundamente
diferente. O importante é a atitude de ir além do medo. Afinal, as pessoas
mudam e evoluem.
Leitura esotérica: O mito do herói nos
mostra que a jornada da vida é marcada por transformações constantes. O
guerreiro que um dia lutou por uma causa injusta pode, no futuro, se tornar um
defensor da paz. Da mesma forma, aquele que hoje se dedica aos mistérios
esotéricos pode, amanhã, engajar-se em causas sociais. A evolução espiritual é
um processo contínuo, e a capacidade de mudar é a marca do ser humano.
Exortação
Que a luz da fraternidade guie os passos de todos aqueles que buscam um
mundo mais justo e humano. Sejamos os construtores da Nova Jerusalém, onde a
liberdade e a virtude floresçam.
Leitura esotérica: Que todos os
peregrinos que buscam a verdade encontrem neste lugar um oásis no deserto da
existência. Que a nossa comunidade seja um farol a guiar os navegantes perdidos
nas trevas. Sejamos os construtores da Nova Jerusalém, onde a justiça, a paz e
a fraternidade reinarão supremas.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita -
oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 25 de novembro de 2007 da Revelação
do Cristo.
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