Do Profano ao Sagrado – Capítulo 17


A condição maçônica

 

Em atendemos ao convite do amado irmão Mestre Instalado Odilon, segue abaixo a minha modesta contribuição relativa a condição maçônica.

 

1. O que o Irmão esperava da Maçonaria?

 

O Irmão, assim como qualquer membro, espera que a Maçonaria, como qualquer organização humana, seja influenciada por seus condicionamentos históricos e pelos indivíduos que a compõem, mas que também contribua para a realização dos seus objetivos fundamentais.

 

2. O que o Irmão deseja com a Maçonaria?

 

O Irmão deseja, por meio da Maçonaria, contribuir para a construção de um mundo mais justo e equitativo. Acredita que a jornada rumo a essa meta exige tanto a colaboração fraterna quanto a iniciativa individual. Assim como o passarinho que, apesar das limitações, busca fazer a sua parte, o Irmão se empenha em superar seus desafios e inspirar outros a fazerem o mesmo.

 

3. O que é a Maçonaria, do vosso ponto de vista?

 

Escrevi diversos artigos sobre a Maçonaria contemporânea para aprofundar essa questão. A ideia de uma Maçonaria única e indivisível é uma abstração. Na prática, encontramos uma diversidade de expressões maçônicas, cada uma adaptada à sua realidade cultural e histórica.

 

Como já afirmava Jules Boucher em 'A Simbólica Maçônica', a unidade absoluta na Maçonaria é uma ilusão. A instituição deve ser capaz de se adaptar às diferentes realidades e aspirações dos seus membros em cada país. Essa diversidade, longe de ser um problema, é uma solução que enriquece a nossa tradição e nos permite construir um futuro mais inclusivo e relevante.


Devido à sua natureza de organização civil, a Maçonaria apresenta uma rica diversidade, como um mosaico com peças únicas. Cada organização possui características próprias, embora se inspire, de forma cada vez mais livre, nos antigos landmarques compilados por Mackey em 1850.

 

A divergência em relação a esses landmarques, alguns já obsoletos, gera debates sobre o reconhecimento mútuo entre as Grandes Lojas e alimenta sectarismos, mesmo em organizações que pregam a abertura ao diálogo e à diversidade.


Com minha experiência como dirigente maçônico, posso afirmar que a principal questão hoje é a crescente evasão e a dificuldade de recrutar novos membros. Tenho proposto o estudo de alternativas para enfrentar esse problema, mas as respostas dos irmãos variam entre a indiferença e a hostilidade. Alguns irmãos, embora em menor número, me acusaram de perjúrio apenas por sugerir um estudo sobre a possibilidade de iniciar mulheres. Reitero que proponho apenas um estudo para avaliar se estamos preparados para essa mudança.


Um fato me dá esperança: mesmo os mais resistentes à mudança reconhecem sua necessidade para a sobrevivência da Maçonaria. Aqueles que não promoverem, em tempo hábil, o estudo de alternativas, correm o risco de se tornarem obsoletos. A Maçonaria, assim como o socialismo, é uma utopia que persiste no imaginário coletivo. No entanto, sua eficácia como instrumento de transformação individual e social dependerá da nossa capacidade de adaptar-se aos desafios do mundo contemporâneo.

 

4. Faria tudo de novo?

 

Cada decisão é influenciada por um conjunto único de fatores, tornando-a irrepetível. Costumo aprender com minhas escolhas e agradecer por esse aprendizado. Na vida, assim como no jardim, devemos apreciar tanto as rosas quanto os espinhos. Jesus nos ensinou a amar não apenas o que nos agrada, mas também o que nos causa dor. Só o amor tem o poder de transformar.

 
5. Vale à pena CONTINUAR?

 

Sim, vale a pena continuar nessa jornada. Só em receber a acolhida calorosa de um irmão de outro oriente, que não me conhece pessoalmente, já justifica continuar construindo esse sonho de uma sociedade mais justa e igualitária.

 

A Maçonaria, a semelhança do arco-íris, possui diversos matizes. Assim, se o convívio em uma loja está muito difícil, sem harmonia, desagradável até; se os esforços necessários para mudar a situação estão além das suas forças; então não é necessário deixar a Maçonaria.

 

Basta tão somente mudar de loja. Quando o padre da minha paróquia não responde às minhas expectativas, não preciso abandonar a Igreja que meus pais escolheram para formar minha fé. Apenas passo a participar mais das atividades de outra paróquia, sem deixar a minha Igreja. Dou a minha contribuição aonde ela é possível. 

 

6. O Irmão é Maçom?


Ser maçom não é uma condição imutável, mas depende do reconhecimento da comunidade maçônica. Diferentemente da Igreja Católica, onde um padre, uma vez ordenado, mantém essa condição para sempre, independentemente de suas ações, a iniciação maçônica não é considerada um sacramento. Podemos afirmar que cada iniciado teve acesso aos mistérios e ensinamentos básicos da Maçonaria. No entanto, o reconhecimento da condição maçônica é dinâmico e pode variar ao longo do tempo, dependendo do envolvimento do indivíduo com a comunidade maçônica.


7. O Irmão se preocupa com o RUMO DA MAÇONARIA E DOS MAÇONS? Se SIM, até onde vai a vossa responsabilidade?

 

Cumprindo minhas obrigações como maçom, contribuindo ativamente para o sucesso das nossas iniciativas e respeitando as posições e limitações dos irmãos, mesmo diante de divergências. A Maçonaria real somos todos nós: pedras brutas e pedras polidas.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 30 de dezembro de 2007 da Revelação do Cristo.

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