Do Profano ao Sagrado – Capítulo 09
A Dança das Lanternas
Mais uma vez nós
todos íamos ao encontro do Mestre com o coração repleto de esperança. Subir a
montanha já não era o grande obstáculo do caminho. Todos nós já estávamos
acostumados, devido ao fato de que nenhum de nós havia faltado aos compromissos
anteriores. A trilha já era amiga. Os animais da mata já não nos observam como
predadores. Enquanto, nós nos comportamos com se não existissem predadores de
homens, a não ser os próprios. Mas naquela mata era pouco provável a existência
de algum.
As lanternas que
levávamos acima das nossas cabeças balançavam como se estivessem dançando. Era
uma dança de luzes. Um irmão mais talentoso para música cantava uma velha e
amada canção. Os demais faziam o refrão.
Em Teu reino,
lembra-te de nós, ó Senhor!
Bem-aventurados
os pobres no Espírito,
O Reino dos Céus
é para eles.
Bem-aventurados
os doces,
A terra é a sua
herança.
Em Teu reino,
lembra-te de nós, ó Senhor!
Bem-aventurados
os que choram,
Eles serão
consolados.
Bem-aventurados
os de coração simples,
Eles verão a
Deus.
Em Teu reino,
lembra-te de nós, ó Senhor!
Bem-aventurados
os artesãos da Paz,
Eles serão
chamados Filhos de Deus.
Bem-aventurados
os perseguidos pela Justiça,
O Reino dos Céus
é para eles.
Em Teu reino,
lembra-te de nós, ó Senhor!
Aleluia! Aleluia!
Aleluia!
Fraternidade,
Força e União.
Chegaríamos ao
nascer do sol e voltaríamos ao anoitecer. O percurso da caminhada exigia doze
horas. Iríamos chegar ao ponto de partida inicial ao nascer do dia. Por esta razão
caminhávamos durante a noite.
Na volta não
cantamos mais a canção da vinda, mas refletia cada um no silêncio da sua alma
sobre as palavras que o Mestre pediu a um de nós que fossem lidas. Elas estavam
registradas em um livro (*). Cada um registrou o que lhe falou mais ao seu
coração. Eu guardei o tesouro que abaixo transcrevo. A vós revê-lo e vos dou
livre e alegremente.
“A morte um dia
virá a cada um de nós. Mas, o importante é não morremos sem antes termos
vividos, é não morremos sem antes termos amado, é não morremos sem antes nos
termos doados. Na doação será a vida divina que viverá através de nossa vida
humana. Viver amando é viver doando-se. E na doação a verdadeira vida vencerá a
morte”.
No texto também
havia uma referência a nossa canção de chegada. Estava lá escrito que o
ensinamento de Jesus sobre as Bem-aventuranças é nos dizer que, quando
sofremos, quando choramos, fiquemos de pé, continuemos caminhando. Através
disso, através dessa provação, nós sairemos maiores, nós nos tornaremos mais divinos.
Através da nossa morte vamos descobrir a vida que não morre.
Poeta Hiran de
Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de
Melquisedec, ao Vale do Mirante, 10 de novembro de 2007 da Revelação do Cristo.
(*) Caminhos da
Realização – dos medos do eu ao mergulho no Ser.
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