Do Profano ao Sagrado – Capítulo 10
O Traje Maçônico
Apresentação
A história da
Maçonaria é recheada de lendas que nos foram passadas das civilizações
Orientais, principalmente do Egito, de Israel e de Tiro, na Fenícia,
nascedouros da Luz do saber, para narrar a dramaticidade de cada grau.
Transportando-nos
a eras remotas, encontraremos os povos da Babilônia, os Assírios e os Caldeus,
ancestrais, também responsáveis pelos conhecimentos maçônicos que através das
gerações chegaram até os nossos dias.
O tema a que nos
propusemos esclarecer tem como objetivo fazer uma panorâmica e ao mesmo tempo
tentar repassar conhecimentos assimilados da pesquisa realizada, visando
contribuir, de certa forma, para melhorar o nosso aprendizado sobre fatos
históricos que envolvem esta Arte Real.
O Traje Maçônico,
tema que discorreremos a seguir, não visa polemizar decisões anteriores nem
recentes constantes da nossa Constituição Maçônica nem dos Rituais do GOPB.
Pretende, isto sim, colocar ao alcance de todos nós o conteúdo do presente
trabalho.
Desenvolvimento
Meus Irmãos!
Vivemos numa das mais quentes regiões do País, onde deveríamos usar roupas
sóbrias, até mesmo por questões de higiene e saúde. Um traje passeio de cor
sóbria, como sempre foi admitido na Maçonaria, é também um traje maçônico, pois
se torna decente, alegre e mais apropriado ao nosso clima tropical.
É bom relembrar
que durante o período da Maçonaria Operativa os Obreiros desta Arte Milenar
organizavam-se nas denominadas “sociedades secretas”, sendo, portanto, um
contra-senso, a imposição de vestes pretas para as referidas reuniões.
Com o advento da
Maçonaria especulativa e, consequentemente, com a criação do grau de Mestre
Maçom em 1725, não aquele Mestre que dominava um ofício e sim, aqueles que
tinham alguma coisa para ensinar. Mesmo assim, não existe registro que o traje
maçônico fosse obrigatoriamente preto.
Nesse contexto é
de bom alvitre citar o seguinte posicionamento a respeito deste assunto, do
saudoso Irmão José Castellani em seu artigo publicado em “A TROLHA” nº 217,
novembro de 2004, as páginas 28 a 31 que diz: “-Traje maçônico
mesmo é o Avental, sem o qual o Obreiro é considerado nu” e prossegue: “...
Mas que, sob ele, deverá haver uma roupa decente e sóbria ...-”
A Maçonaria
escocesa tem todas as suas lendas fundamentais baseadas nas Sagradas Escrituras
na qual o Velho Testamento. Fundamentalmente, narra a história do povo de
Israel, sendo de ressaltar que a maioria dos livros que as compõem foram
escritos por autores judeus. Portanto, podemos, livres de qualquer preconceito,
de qualquer insinuação graciosa de anti-semitismo, sustentarmos que o traje
negro contraria um dos princípios fundamentais da nossa Ordem por ser tradição
do judaísmo ortodoxo.
Sabemos, ainda,
que a nossa Instituição não admite em seus templos quaisquer espécies de
sectarismo, religioso ou político. Recebe sim, em seus quadros homens livres e
de bons costumes, de qualquer religião e de qualquer ideologia política.
Entendemos
perfeitamente que o traje negro e o chapéu da mesma cor é uma tradição judaica
ortodoxa, sendo, portanto, o traje dos rabinos.
Embora já se
praticasse a maçonaria moderna ou especulativa, pesquisas realizadas em
literatura do século XIX, entre elas citamos a de “Pablo Rosén” em sua obra:
“Satan e Cia”, nelas não encontramos nenhuma gravuras nem fotografias de maçom
usando o traje negro.
A adoção do terno
preto para a Maçonaria vai de encontro aos princípios do esoterismo e,
consequentemente ao simbolismo dos três principais graus do Rito Escocês Antigo
e Aceito, uma vez que as vestes pretas simbolizam a tristeza, o caos, a dor, o
nada. Não há, se pensarmos bem, nenhuma razão evidente, nenhum imperativo da
tradição maçônica que possa justificar o seu uso.
Na realidade, o
traje maçônico como atualmente é tratado o terno preto, foi introduzido em
caráter obrigatório em 1993, pela Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de
Janeiro (GLMERJ), na primeira gestão do ex-Irmão Luiz Zveiter, quando
Grão-Mestre daquela Potência, e daí por diante esse costume sedimentou-se na
Ordem Maçônica, prevalecendo, no nosso entendimento, a vontade de uma corrente
dominante da Maçonaria e não a representação do pensamento manifestado da
totalidade dos Obreiros desta Grande Instituição.
Conclusão
A maçonaria
especulativa dos nossos dias vive período moderno e como tal, sente-se na
necessidade de adequar os seus usos e costumes a época, voltando as suas
origens, para que possa atender aos anseios dos nossos Obreiros. Assim
procedendo não estaremos nos afastando do princípio milenar que rege esta Arte
Real, nem tão pouco estaríamos cometendo um delito maçônico contrariando os
Landmarks.
Concluímos, pois,
afirmando que esta nossa pesquisa não tratou de um trabalho acabado, definitivo
ou estanque. Ela permanece aberta para que os Irmãos possam, no exercício do
sagrado direito da liberdade de pensamento de cada um, demonstrar e se possível
comprovar ser o “Terno Preto” as vestes adotadas pela Maçonaria.
Misael Martins Marinho, Mestre Instalado – maçom regular da ARLSIP.: Mestre dos Cristais, 31 de
outubro de 2007.
Referências:
GOMES, RHOMEU
ELEN E BARROS, A Obrigatoriedade do Traje Maçônico, Trabalho
“A TROLHA”,
Revista nº 217, ANO 2004, p. 28-31
RITUAL DE
INSTRUÇÃO, GOPB, Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, 1998
VADE MECUM
MAÇÔNICO, GOPB, 1995.
Comentários
Postar um comentário