Do Profano ao Sagrado – Capítulo 02

A verdadeira iniciação


Dias passados, falávamos do verdadeiro Iniciado, aquele que na senda, procura se infiltrar e procurar se "aninhar” dentre os ensinamentos que devem estar afinados com seu pensamento e seu "eu" interior, peça principal tão almejada e nem sempre alcançada.

 

Tendo como respaldo esse introito, achei interessante trazer algumas reflexões que achei de valia para o nosso pensar. Todavia não é objetivo desta reflexão estudar o lado sombrio, e sim buscar alguma solução para a questão: O que entendemos nós, que somos os atuais amantes da sabedoria, por INICIAÇÃO?

 

Bem, em primeiro lugar, é bastante evidente que aqueles que acreditam na fraternidade humana só podem buscar iniciação nos mistérios capazes de aprimorá-los em humanismo, ou na verdadeira filantropia, no dizer de Cícero. Quaisquer que sejam as seduções que nos sejam apresentadas, de adquirir conhecimento pelo próprio conhecimento, devemos sempre nos recusar a entrar em tais círculos, se eles não estiverem fundados com o propósito de reto pensar e bom agir; em suma, se eles não forem eticamente sadios.

 

Acreditamos que muitos de nós iremos mais longe e nos aprofundaremos mais no assunto. Pois, já somos bastante felizes em nos terem sido transmitidos os tesouros e muitas tradições iniciáticas do passado - isto é, os tesouros dos ensinamentos esotéricos das grandes religiões do mundo, que foram inspirados pela Divina PROVIDÊNCIA para a educação espiritual da humanidade. Assim, a iniciação começa a ter, para alguns de nós, um significado muito profundo. Já aprendemos, ou podíamos ter aprendido - se tivéssemos feito algum esforço para isto - qual é a natureza da vida espiritual, e quais são as balizas da Senda capaz de nos conduzir da ignorância para a Gnose, do homem para a Divindade.

 

Também já aprendemos, ou pelos menos tivemos oportunidade de aprender, se nos tivéssemos dado ao trabalho de ler, o que é que os grandes benfeitores da humanidade apontam como o meio de autopurificação - para nos prepararmos para o rito sagrado pelo qual seremos recebidos na ordem da verdadeira condição de Homem. Já aprendemos – os que tiveram os ouvidos atentos - que os ritos de mistério instituídos pelo homem são, no máximo, apenas sombras de coisas mais sublimes, e que um homem pode ter sido iniciado nesses ritos e, no entanto, ter apenas evoluído para coisas mais elevadas.

 

E porque é que alguns de nós estamos convictos disto? Porque temos extrema confiança em que a verdadeira iniciação é um processo natural. Ninguém pode dar nem reter essa iniciação. Ela é o cumprimento de uma aliança do homem com Deus, e ninguém pode dizer sim ou não, exceto esse Deus.

 

Texto extraído de “Algumas Reflexões Místicas”. (AMORC)

 

Mestre Antônio Kalaf, em 17 de fevereiro de 2008.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog