A Iniciação nos
Mistérios –
Capítulo 5
O Estado de Transformação
Resumo
A
jornada maçônica, repleta de simbolismos e ensinamentos profundos, culmina em
um estado de transformação interior que transcende o ego. Este artigo
estabelece um paralelo entre essa experiência e a trajetória espiritual de São
Francisco de Assis, marcado por uma intensa conexão com o divino. A imagem da
sarça ardente é utilizada para simbolizar a purificação do ego através do fogo
divino, permitindo ao iniciado alcançar uma consciência mais ampla e universal.
A jornada iniciática, assim como a vida de São Francisco, é apresentada como um
caminho de superação e crescimento espiritual, onde a perseverança e a fé são
essenciais para alcançar a perfeição.
Palavras-chave:
Maçonaria, transformação interior, São Francisco de Assis, iniciação, ego,
espiritualidade, perfeição moral.
Amados Irmãos,
A
transformação interior na Maçonaria constitui um percurso iniciático contínuo,
marcado pela busca incessante de autoconhecimento e aprimoramento moral. A cada
etapa dessa jornada, o maçom é desafiado a transcender seus limites e a
expandir sua consciência, num processo dialético que envolve tanto a
introspecção quanto a interação com o mundo exterior.
A
dialética do Estado de Transformação maçônica se manifesta em diversos níveis:
Ø A imersão nos rituais, símbolos e
história da Ordem proporciona ao maçom um rico material para a reflexão e a
interpretação. Ao desvendar os significados ocultos nas alegorias maçônicas, o
indivíduo estabelece uma conexão mais autêntica consigo mesmo e com o universo.
Ø A prática regular da reflexão permite
ao maçom identificar padrões de pensamento e comportamento que limitam seu
crescimento. Ao confrontar suas sombras e integrar seus aspectos mais obscuros,
o indivíduo se aproxima de uma compreensão mais completa de si mesmo.
Ø O serviço à comunidade não é apenas um
dever, mas uma oportunidade de colocar em prática os valores maçônicos. Ao
auxiliar o próximo, o maçom experimenta a sensação de pertencer a algo maior do
que si mesmo e fortalece os laços de solidariedade que unem a humanidade.
Ø As relações fraternais estabelecidas na
Loja constituem um ambiente propício para o crescimento pessoal. Através do
diálogo e da troca de experiências, os maçons se desafiam mutuamente a buscar a
excelência moral e intelectual.
A
jornada maçônica, portanto, pode ser entendida como um processo de
individuação, no sentido junguiano do termo. Ao longo de sua trajetória, o
maçom busca integrar os diversos aspectos de sua personalidade, transcender os
limites do ego e conectar-se com uma realidade mais profunda.
Em
síntese, a transformação interior na Maçonaria é um percurso complexo e
desafiador, que exige dedicação, perseverança e um compromisso genuíno com o
autodesenvolvimento. Ao trilhar esse caminho, o maçom não apenas se transforma
a si mesmo, mas também contribui para a construção de um mundo mais justo e
fraterno.
As jornadas espirituais nas tradições maçônicas
e franciscanas
As
jornadas espirituais de São Francisco de Assis e a Maçonaria, embora oriundas
de contextos históricos e culturais distintos, apresentam notáveis
convergências e divergências em seus preceitos e práticas.
Semelhanças
Tanto
São Francisco quanto a Maçonaria enfatizam a busca incessante pela perfeição
moral e espiritual. O desapego aos bens materiais, a prática da caridade, a
humildade e a fraternidade são valores comuns a ambas as tradições.
A
natureza desempenha um papel central tanto na vida de São Francisco quanto na
simbologia maçônica. A contemplação da criação divina e a busca pela harmonia
com o meio ambiente são elementos presentes em ambas as tradições.
A
fraternidade universal é um dos pilares da Maçonaria e também um dos legados de
São Francisco de Assis. A criação da Ordem dos Frades Menores, marcada pelo
espírito de pobreza e fraternidade, demonstra a importância que o santo
atribuía aos laços fraternos.
Tanto
a vida de São Francisco quanto a Maçonaria são ricas em simbolismo. Os animais,
a pobreza, a natureza e outros elementos são utilizados para transmitir
ensinamentos profundos sobre a condição humana e a busca espiritual.
Diferenças
A
Maçonaria é uma instituição formal, com rituais e hierarquias definidas. A
espiritualidade franciscana, na sua origem, por sua vez, é marcada por um
individualismo radical e pela rejeição de qualquer forma de
institucionalização.
A
Maçonaria, embora tenha raízes cristãs, é uma instituição laica que não se
vincula a nenhuma religião específica. A espiritualidade franciscana, por sua
vez, está profundamente enraizada no cristianismo e na figura de Jesus Cristo.
Enquanto
a Maçonaria enfatiza o auto aperfeiçoamento moral e intelectual, a
espiritualidade franciscana se concentra na relação entre o indivíduo e Deus,
buscando a união com o divino através da pobreza, da humildade e do serviço aos
outros.
As
jornadas espirituais de São Francisco de Assis e a Maçonaria, apesar de suas
diferenças, apresentam uma convergência significativa em relação à busca pela
perfeição moral e espiritual. Ambas as tradições enfatizam a importância da
fraternidade, da humildade e do serviço ao próximo.
A experiência mística
O
penúltimo passo da iniciação maçônica representa um ponto de inflexão na
jornada do iniciado. É um momento de profunda transformação interior,
comparável à experiência mística de São Francisco de Assis.
O Fogo Divino
Assim
como o santo de Assis, o maçom que alcança o penúltimo passo vivencia uma
espécie de 'queima do ego', onde a
personalidade individual se dissolve para dar lugar a uma consciência mais ampla e universal.
Essa transformação é simbolizada pela imagem da sarça ardente: o fogo divino consome o ego sem destruí-lo,
purificando-o e iluminando-o.
A
jornada espiritual de São Francisco é marcada por momentos de intensa conexão
com o divino, culminando na experiência dos estigmas. Essa identificação
profunda com Cristo representa a união do homem com o divino, um estado de
consciência que os místicos de todas as tradições buscam alcançar.
Transformação
Para
o maçom, a experiência desse passo também implica uma profunda transformação,
marcada pela superação do ego e pela busca da perfeição moral e intelectual. Ao
conectar-se com a fonte divina, o iniciado
se torna um canal para a manifestação da
luz e da verdade no mundo.
A
jornada iniciática, assim como a vida de São Francisco, é marcada por altos e
baixos, por momentos de grande alegria e por momentos de profunda dor. No
entanto, é através da perseverança e da fé que alcançamos a transformação
interior e nos aproximamos da perfeição.
Conclusão
O
estado de transformação não é um
destino final, mas um novo começo.
Ao transcender os limites do ego, o iniciado se abre para um universo de
possibilidades infinitas, onde a experiência da divindade se torna uma
realidade cotidiana.
Exortação final
O
Maçom desperto olha para a Imensidão e contempla a estrela que o coloca a
caminho do Reino dos Céus na terra.
Amados Irmãos, desejo que o nosso contentamento seja contribuir para o
desenvolvimento da Maçonaria.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao vale do Mirante, 05
de janeiro de 2012 da Revelação do Cristo.
Comentários
Postar um comentário