Iohanan – Prólogo ao conhecimento do sagrado
Capítulo
5
A revelação do tetragrama sagrado.
A Tradição Profética, anterior ao Livro de Iohanan, anunciava que a principal
missão do Messias era e é a revelação do nome de Deus. Nesta afirmação há de
ser lembrado que o nome com que se designa algo ou alguém, “uma realidade
pessoal ou impessoal, é mais do que uma rotulagem, é a própria presença, a
energia do que é chamado”.
Algumas
sociedades iniciáticas simbólicas, seguindo a Tradição Profética, dão muito
valor ao nome e a sua revelação. Aqui se trata da alegoria da “palavra
perdida”. A palavra perdida ou esquecida é escondida ainda mais pela utilização
de uma lenda. A meta a ser atingida pelo iniciado é descobrir o caminho que
leva a revelação da palavra perdida, de modo que ele se torne um Mestre
Perfeito.
Muitos
se perdem na leitura de livros e mais livros produzidos pela imaginação dos
escritores que estudam a Ordem. Outros se aprofundam tanto no Ritual que lá
ficam enclausurados nos rigores da ritualística. É enigmático o fato de que há
um consenso entre os mestres de que no Livro de Iohanan encontra-se a chave
para abertura ao nome de Deus, mas poucos o lêem.
Iohanan,
como de costume, está em alerta, na escuta da palavra que lhe foi revelada e
explicada várias vezes pelo Mestre Yeschua, até mesmo na última ceia. Ele sabia
que o Logos desde a época da revelação de Moshé habitava entre os doutores do
seu povo nos escritos do Thora. Antes, ele estava entre os seus, nas Escrituras
Sagradas reveladas ao iehudim. Depois da vinda do Mestre Yeschua ele estava
entre os seus na forma da carne. Mas, os seus não o receberam.
Era um
fato doloroso, mas real: os doutores do povo eleito receberam o Logos e
transmitiram em seus ensinamentos, mas não o acolheram plenamente nos seus atos
e comportamento. Assim, não seria nada fácil recebê-lo em sua forma corporal.
Ainda
hoje não é fácil, pois conforme o mestre Leloup denuncia: “os que falam em seu
nome, os que dizem serem dele são, algumas vezes, os que menos o encarnam”.
Iohanan,
não só acredita, mas, sabia que a encarnação do Logos no Mestre Yeschua se deu
como uma demonstração exemplar de que todos os homens podem ser filhos de Deus,
para isso é necessário crêem em seu nome, na sua presença, na sua energia em
cada um de nós. Por esta razão assim cantou:
11. Ele vem para o que é seu, mas os seus
não o recebem.
12. A todos os que o recebem,
àqueles que crêem em seu nome, ele dá o poder de serem filhos de Deus.
O que
nos resta fazer? Teresa de Lisieux respondia: “a única coisa que me resta fazer
é amar”. O que vale dizer: encarnar o Logos cotidianamente em cada pequeno ato.
-
Porque os homens não recebem a palavra de Deus? Por que os homens são livres,
possuem o livre arbítrio para escolher a vida ou a morte. Escolher a Árvore da
Vida ou a Árvore do Conhecimento.
Somos
livres para receber ou não o Logos. Mesmo que a inteligência criadora habite no
nosso interior, somos livres para renunciá-la em pró da inteligência humana. A
troca da Árvore da Vida pela Árvore do Conhecimento não só foi feita apenas por
Adão (o terroso), mas por cada um de nós em cada escolha da nossa existência,
em cada ato mais simples.
O
Mestre Yeschua, na sua natureza humana, escolheu a Árvore da Vida e o Logos nele
fez a revelação do seu nome e o fez pleno de amor e luz. No Mestre Yeschua o
Logos fez a revelação da face de Deus. Cabe a cada um de nós a escolha de ser
uno com o Pai.
Receber
o nome de Deus, encontrar a palavra perdida, é aderir, acreditar em seu nome, é
ser uno com esta energia, ser vivificado por ela.
Na
atualidade o mestre Leloup ensina que “aqueles que se abrem, são adotados pelo
Logos”. Para tanto é preciso escutar o ser que habita no seu interior de cada
um de nós.
A
Tradição Gnóstica aponta as seguintes etapas iniciáticas em direção ao Logos:
-
Abrir o diálogo;
-
Escutar o outro;
-
Formar uma só coisa com o Logos;
-
Tornar na sua vida cotidiana a realidade do nome de Deus.
No
livro de Iohanan lê-se, os versículos (7, 6-11), o próprio Mestre Yeschua
prestando contas da sua missão ao Criador: a revelação do nome, da palavra
codificada no tetragrama e esquecida por muitos. Eis a fala do Mestre Yeschua
dirigida ao criador.
6. Revelei teu nome aos homens que
tiraste do mundo para que me fossem dados. Eram teus e tu os deste a mim; eles
guardaram a tua palavra.
7. Agora, reconhecem que todas as coisas
que me deste procedem de ti.
8. Eu lhe transmiti as palavras que me
confiaste e eles reconheceram de verdade que eu saí de junto de ti e creram
verdadeiramente que me enviaste.
9. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo
mundo, mas pelos que me deste, porque são teus.
10. Pois tudo que é meu é teu, e tudo que
é teu é meu. Neles sou glorificado.
11. Já não estou no mundo, mas eles estão
no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai Santo, guarda em teu nome
aqueles que me deste, para que sejam um, como nós somos um.
Escuta
que amarás. Amas que serás liberto.
Como
podemos perceber já na escuta do hino, o Livro de Iohanan foi escrito por uma
pessoa que possuía profundos conhecimentos da Cabala e havia vivido uma efetiva
experiência numinosa. De modo que o seu escrito transcende aquilo que pode ser
apreendido pela inteligência humana. Além disso, verifica-se que a plena
revelação contida no Livro de Iohanan exige a leitura do original grego e a sua
tradução para o hebraico. Esta dupla leitura é necessária porque o Logos que
fala a Iohanan o fez na língua hebraica. Nesta leitura contamos com o apoio do
mestre Leloup. Este duplo movimento existe no nosso texto, mas de modo
subjacente.
Para a
Tradição Gnóstica, ulterior ao Livro de Iohanan, o Mestre Yeschua é aquele que
encarna o nome, que revela o tetragrama sagrado, ou seja, é aquele que
manifesta na sua materialidade o segredo do ser e do amor.
Poeta Hiran de Melo - Mestre
Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do
Mirante, 4 de fevereiro de 2008 da Revelação do Cristo.
Referências básicas e leitura recomendada.
1. A Bíblia de Jerusalém. Edições Paulinas, 1973.
2. Uma Igreja que Acredita. Edições Paulinas, 1999.
3. Caminhando na Estrada de Jesus. Edições Paulinas, 1996,
4. O Evangelho de João. Jean-Yves Leloup. Editora Vozes, 2000.
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