Loja Maçônica – Capítulo 8

"É necessário que ele cresça e que eu diminua". João, 3-30

Convite aos Aprendizes da Arte Real

 

Atendendo ao pedido do Grão-Mestre Onildo Silva Almeida Filho, para que reflitamos sobre o lema "LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE" e superemos nossa ignorância e arrogância, apresento aqui os primeiros resultados da reflexão sugerida, na expectativa de receber orientações para aperfeiçoar meu trabalho.

 

Agradeço ao Grão-Mestre pelo convite e o parabenizo por essa iniciativa de promover o debate entre os maçons.

 

Ao longo de sua história, a maçonaria defendeu os valores de liberdade, igualdade e fraternidade, mas sua prática nem sempre foi coerente com esses ideais. Neste texto, buscaremos analisar essas contradições e propor caminhos para uma maçonaria mais justa e democrática.

 

O lema da Revolução Francesa, "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", é também um dos pilares da maçonaria, representando a aspiração por uma sociedade justa e equitativa. No entanto, é importante ressaltar que essa igualdade não implica em homogeneidade. Ao contrário, a maçonaria valoriza a diversidade de ideias e experiências, permitindo que cada indivíduo preserve sua identidade.

 

A liberdade maçônica garante o direito de cada membro expressar suas opiniões e viver de acordo com seus valores. A igualdade se refere à igualdade de direitos e oportunidades, assegurando que todos os membros sejam tratados de forma justa e imparcial. A fraternidade, por sua vez, promove o diálogo e a cooperação entre os irmãos, buscando o bem comum.

 

É fundamental destacar que a fraternidade maçônica não se confunde com submissão. A busca pela verdade e o debate de ideias são pilares da nossa instituição. A submissão a uma única voz ou a imposição de um pensamento único são incompatíveis com os princípios maçônicos.

 

A inexistência de debates de ideias e do diálogo entre os membros caracteriza, antes de tudo, uma sociedade ditatorial, exatamente o que era combatido pela Revolução Francesa e pelos maçons da época.

 

As organizações maçônicas, ao longo dos séculos, sempre buscaram ser modelos de uma sociedade democrática, justa e perfeita. Por isso, a divisão dos poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário é um princípio fundamental dentro da maçonaria. O Legislativo formula e aprova as leis, o Executivo as executa e o Judiciário as interpreta e aplica.

 

Uma organização maçônica pode ser considerada justa e perfeita na medida em que cada membro ascenda aos postos de comando com base no mérito.

 

A Lenda de Hiram, fundamento da maçonaria moderna, ilustra essa ideia. Nela, os maçons são classificados em aprendizes, companheiros e mestres, de acordo com suas habilidades e conhecimentos. Ou seja, as instruções são transmitidas aos maçons conforme o grau que cada um alcança. Isso demonstra que, embora a maçonaria valorize a igualdade de oportunidades, o progresso individual é reconhecido e recompensado.

 

É importante lembrar que a existência do Estado democrático, com seus direitos e deveres para todos, surgiu das lutas que resultaram na Revolução Francesa. Assim como a maçonaria, a democracia busca a igualdade de oportunidades, mas reconhece que as pessoas possuem diferentes talentos e capacidades.

 

Em outro momento histórico, que é considerado de máxima importância para a evolução da humanidade, foi proclamada a Declaração dos Direitos Humanos. Nela está afirmado que a igualdade entre os seres humanos é o objetivo de todos os estados democráticos.

 

É oportuno observar que o Estado Brasileiro tem evoluído muito mais do que as organizações maçônicas brasileiras em relação aos direitos humanos. No Brasil, o lema "LIBERDADE, IGUALIDADE e FRATERNIDADE" se aplica a todos os indivíduos, independentemente de gênero, enquanto algumas organizações maçônicas ainda possuem uma visão mais restrita sobre a participação feminina.

 

O Grão-Mestre Onildo está nos ajudando a refletir sobre a importância dos direitos humanos dentro da maçonaria, como a igualdade e a liberdade.

 

O Irmão Onildo tem razão quando diz que a maçonaria não tem donos. Não existe um consenso sobre a origem da maçonaria, e cada organização tem suas próprias regras. Se um grupo de pessoas tentasse controlar toda a maçonaria, seria difícil considerá-los verdadeiros maçons. A maçonaria é sobre igualdade e liberdade, e não sobre poder.

 

No entanto, a existência dessas organizações maçônicas não garante a efetiva prática maçônica regular. É por isso que existem os Tratados de Reconhecimento Mútuo, que definem critérios como a observância dos Landmarks maçônicos (delimitações). Por exemplo, o Grande Oriente do Brasil (GOB), ao não ter assinado um Tratado de Reconhecimento Mútuo com o GOPB, não reconhece nossa organização como regular. Consequentemente, os membros do GOPB não podem participar de sessões nos templos maçônicos. Embora, a juízo de cada membro, possam participar de eventos ou atividades conjuntas com os membros do GOPB. De modo que a inexistência de um tratado de reconhecimento mútuo restringi as oportunidades de intercâmbio e fraternidade entre os maçons.

 

Concordo com o Irmão Onildo ao afirmar que não estamos mais na Roma Antiga, onde os Césares detinham todo o poder. No entanto, mesmo nos dias atuais, vemos situações em que Grãos-Mestres de outras potências maçônicas brasileiras não reconhecem os obreiros do GOPB como regulares.

 

É importante lembrar que os Landmarks, embora sejam princípios fundamentais da maçonaria, não devem ser utilizados para justificar o descumprimento das normas constitucionais de cada potência.

 

Conclamo a todos os irmãos a seguir o conselho do Irmão Onildo: deixemos de lado as diferenças e a vaidade, pois a vaidade gera intolerância e insegurança. Intensifiquemos nossa participação nas atividades das lojas e promovamos a renovação das lideranças, combatendo o carreirismo que prejudica a nossa instituição.

 

Sugiro, humildemente, aos Veneráveis Deputados do GOPB que aprovem leis estabelecendo limites para a recondução aos cargos eletivos e de confiança. Dessa forma, após cumprir um mandato ou ocupar um cargo por determinado período, cada obreiro teria um período de afastamento, similar a um sabático. Assim como São João nos ensinou, a renovação constante é fundamental para o crescimento espiritual e intelectual. Nossos veneráveis mestres poderiam servir como exemplo, demonstrando a importância da alternância de lideranças.

 

A busca pela liberdade, igualdade e fraternidade é um processo contínuo. A maçonaria, como uma instituição em constante evolução, tem o dever de promover esses valores em todas as suas ações. Ao refletir sobre nossas práticas e a história da nossa ordem, podemos identificar os desafios e as oportunidades para construir um futuro mais justo e equitativo.

 

Exortação

 

Irmãos, como nos ensina o Ritual, a fraternidade é o laço que nos une. Que esse laço se fortaleça a cada dia, nos impulsionando a buscar um mundo mais justo e equitativo.

 

Ao refletirmos sobre a história da maçonaria e os desafios do nosso tempo, renovemos nosso compromisso com os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade.

 

Participem ativamente das nossas lojas, defendam os valores maçônicos e contribuam para um mundo melhor. Que a luz da razão ilumine nossos caminhos e nos guie rumo a um futuro mais justo e fraterno.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, junho de 2015.  


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