Loja Maçônica – Capítulo 10
“No princípio o Logos, O Logos está
voltado para Deus, O Logos é Deus”. João 1,1.
A
narrativa contida na Lenda de Hiram é uma ficção ou é um mito?
Esta
questão suscita duas respostas aparentemente contraditórias, mas ambas revelam
facetas da verdade. Alguns veem na Lenda de Hiram uma narrativa ficcional,
criada para transmitir os princípios morais que norteiam a construção de uma
sociedade justa e perfeita, simbolizada pelo Templo de Salomão, e fundamentada
na meritocracia.
O
martírio de Hiram é resultado de sua defesa intransigente do mérito como
critério de ascensão profissional. Nessa perspectiva, a Lenda de Hiram é uma
alegoria laica, um símbolo da Obediência Maçônica. Assim, a Ordem é vista como
uma instituição essencialmente simbólica, regida pelo Logos.
É
forçoso reconhecer que a maioria dos obreiros enxerga a Lenda apenas sob uma
perspectiva restrita. Contudo, há uma dimensão mais profunda e rica, que
complementa a primeira, consistindo na experiência da Lenda de Hiram como uma
narrativa verdadeira, repleta de sacralidade e da essência maçônica.
Nesta
outra acepção, a Lenda de Hiram é um mito que se torna vivo e palpável em cada
Sessão Magna de Exaltação. Nesses momentos, vai-se além da simples revelação de
um segredo, vivenciando o martírio de Hiram – o "mito vivo" ou
vivificado.
Amados
irmãos, a Sessão Magna de Exaltação constitui uma solenidade sagrada, realizada
no Templo, onde invocamos a presença do Grande Arquiteto do Universo. Nesse
ambiente sagrado, a Câmara do Meio, em oposição ao profano, torna-se o palco de
uma experiência espiritual única.
Para
os mestres maçons que receberam a mística do terceiro grau, a Lenda de Hiram é
uma narrativa viva, constantemente atualizada e vivenciada nas Sessões de
Exaltação. Ela se torna uma experiência presente na vida do maçom contemporâneo,
sem desviar-se dos elementos fundamentais da narrativa original.
Diante
do corpo inerte do Mestre Hiram, o Logos anuncia que a carne se desprende dos
ossos, revelando uma dualidade: a perda da palavra de mestre e a apresentação
de uma nova.
Ato
seguinte, as três luzes da loja se unem para elevar o corpo de Hiram, agora
vivificado no Companheiro que ascende ao grau de Mestre. Nesse instante, o
Logos cede lugar ao Mito, e a narrativa se transforma em experiência vivida. O
mestre ideal, antes um modelo, torna-se presente no coração do novo Mestre e de
todos os presentes.
Ao
afirmar que "se sentiram renovados", refiro-me à experiência profunda
que muitos vivenciam nas Sessões Iniciáticas. No entanto, essa experiência não
é garantida a todos. Aqueles que não vivenciam os Mistérios da Exaltação tendem
a uma compreensão mais simbólica e literal da Lenda de Hiram. Perdendo a oportunidade
de vivenciar o Mito e nele evocar a presença dos valores defendidos pela
Maçonaria.
Ao
final dos trabalhos, todos sairão da sessão revestidos dos símbolos do Grau
Três, muitos impregnados pela presença do Logos, repetido em abundância pelas
luzes do templo. Contudo, apenas alguns terão seus corações iluminados pela
presença do Mito. É o Mito que oferece o modelo ao maçom, conferindo significado
e valor à Ordem Maçônica, orientando seus passos e inspirando seus ideais.
Observe,
meu amado irmão, que o Logos, direcionado à mente e à razão, manifesta-se no
entendimento. Já o Mito, que canta à alma e ao coração, instiga o sentimento de
pertença à Ordem dos Iniciados nos Mistérios Maçônicos.
Na
maioria dos ritos maçônicos, a Lenda de Hiram não se encerra no Terceiro Grau.
Sua narrativa se estende na busca pela palavra perdida, na morte do mestre
modelo. Para alguns, essa palavra é o Logos, a razão; para outros, o Mito,
representando o que temos de divino.
Para
uns, encontrar a palavra perdida significa alcançar a plena iluminação, o
despertar espiritual e a libertação. Para outros, é obter uma palavra de passe
— um tetragrama original composto por consoantes e vogais — que lhes permitirá
acessar o Templo e contemplar a Arca da Aliança.
Felizes
aqueles que, ao compreenderem o Logos, vivenciam também a profundidade do Mito.
Enquanto o Logos ilumina a heurística dos ritos e liturgias, é o Mito que confere
o sentido existencial de pertencer à Ordem Maçônica, iluminando nosso caminho.
O
cântico inicial de João, ao evocar o mito da criação, nos convida a uma jornada
simbólica. A narrativa joanina, seja interpretada como verdade histórica ou
como alegoria, nos oferece ricas possibilidades de reflexão e crescimento
espiritual. A Maçonaria, ao nos convidar a desvendar os mistérios dessa
narrativa, nos proporciona uma experiência única de autoconhecimento.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, no dia sete de Doze do
ano 2015 da revelação do Logos no Filho do Homem e do Mito no Filho de Deus.
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