Loja Maçônica – Capítulo 6
O Semeador do Reino dos Céus
Meus
amados Irmãos, um dia de sol para todos nós.
Antes de tudo, peço ao Pai que perdoe
os nossos pecados e desejo que cada um de nós se sinta abraçado, fraternalmente
abraçado, nesta sessão magna de exaltação de novos mestres maçons.
Por isso, espero que no coração de cada
um de nós a presença do Grande Arquiteto do Universo seja plena. Almejo que
cada um de nós possa se inspirar no exemplo dado há mais de dois milênios por
João, o Batista. Aquele que batizava com água, anunciando o advento daquele que
batizaria com fogo, com a graça do Espírito Santo.
É
dito em muitos lugares que João Batista é o patrono da maçonaria, no sentido de
que este título representa alguém cujo nome simboliza as tradições maçônicas e
o culto litúrgico dos heróis morais. Heróis que cavaram masmorras ao vício e
construíram templos à virtude. Mas
a maçonaria, enquanto projeto ecumênico que aceita e respeita as diversas
tradições culturais dos povos, abriga muitas interpretações, e não seria de
estranhar que alguém não concorde que o Batista histórico seja o patrono da
maçonaria. Todavia, isso não
retira de João Batista bíblico o valor de referência.
Dirigindo
nosso olhar para as organizações concretas, que foram erguidas em nome da
maçonaria utópica, é possível concordar que poucas são aquelas que têm, na sua
prática cotidiana, João Batista como seu patrono. Assim, se faz necessário
indagar: o que dizia João Batista e de onde ele veio?
Uma
boa resposta já foi dada: “João aparece no deserto, símbolo do lugar do
encontro de Deus com o homem, identificado pelos profetas como espaço de aprendizagem
para construir uma sociedade nova”. Dizia ele que “novos tempos se aproximam”.
“É preciso entrar em um processo que implica mudança de vida – conversão”.
Na
linguagem da tradição, poderíamos utilizar a chave esotérica: morte ao homem
velho, vida ao novo, existente no centro de cada um de nós. Isto é, os obreiros que são
reconhecidos como maçons preferem a palavra iniciação (nos quatro elementos).
Certamente para manter um distanciamento das organizações religiosas. Tradições
diferentes, palavras diferentes, todavia o significado é o mesmo. O propósito é
o mesmo: construir uma sociedade cada vez mais justa e fraterna. Justiça e amor
na prática harmoniosa e diária de cada obreiro.
Lembremos
que na época de João Batista, a organização da sociedade não oferecia vida. Pois a quem o procurava, ele oferecia
um novo conceito de vida em comunidade. E aquele que confessava publicamente
seu envolvimento com esta sociedade injusta, era batizado por ele, ou seja,
preparado para receber uma nova justiça. Justiça orientada pelo amor de Deus.
Quando aqueles que promoviam a
sociedade injusta o procuravam, ele os recebia com palavras duríssimas: “Raça
de cobras venenosas, quem lhe ensinou a fugir da ira que vai chegar”. Mesmo
assim, apontava o caminho da salvação. “Produzam frutos dignos! Mostrem pela
prática o projeto de vocês”. Claro, se fosse possível tal prática de justiça
com amor na construção de uma sociedade doente.
Estas
duras palavras, infelizmente, podem também ser dirigidas a nós. Pois é engano pensar que basta
pertencer a uma organização maçônica para estar participando da maçonaria.
Nossa segurança não está em tomar parte de um Grande Oriente – regular ou não.
São os frutos de nosso trabalho que dizem o que somos.
Como
distinguir entre verdadeiros maçons e aqueles que apenas usam os símbolos da
Ordem? João Batista nos oferece um critério de discernimento. É através desse
critério que poderemos identificar, em nossa prática, a quem verdadeiramente
servimos.
João
não se coloca como um Venerável Mestre, pois
ele apenas prepara o terreno para ser lançada a semente de uma nova sociedade
justa e perfeita. Aquele que semeará a
nova sociedade está para chegar, embora já habite no meio de nós. Deste
modo, João não se apega ao cargo e nem à função de semeador. Ao contrário, ele
anuncia que o que vem é muito maior do que ele, e o profeta nem se considera
digno de tirar-lhe as sandálias.
Qual
é o olhar que dirigimos a estes obreiros, hoje e aqui, exaltados ao grau de
mestre maçom? Afinal, somos seus
superiores ou esperamos e trabalhamos para que eles sejam nossos líderes?
Daremos oportunidades para que eles assumam a liderança da loja, ou
encontraremos sempre razões para adiar a entrega? Confiamos nos irmãos ou
confiamos apenas em nossa própria
capacidade?
De
perguntas simples, espera-se tão somente respostas simples. Pois cada um sabe no seu interior se é
um maçom ou se é apenas alguém que usa os símbolos da Ordem. Ou, em termos mais
simples ainda, responda: você está trabalhando para viver os princípios da
maçonaria ou está apenas preocupado com os cargos, ritos e cerimoniais?
Lembremos
que na maçonaria ninguém tem autoridade para se autodeclarar maçom. É
necessário o reconhecimento dos irmãos. Todavia,
acima mesmo deste reconhecimento, encontra-se a prática do irmão. Só ela, em
última instância, é capaz de nos assegurar a condição de ser um maçom. Um novo
homem, homem nobre, liberto, salvo, desperto. O adjetivo é colocado conforme a
tradição que cada obreiro segue.
Nós
aqui, a exemplo de João Batista, iniciamos com água e os demais elementos. Pois aquele que habita no coração de
cada um de nós, só ele, é quem batiza com o fogo purificador do Espírito Santo.
Quando digo habita no coração, não me refiro ao ego que muitas vezes guia os
nossos passos. Refiro-me ao coração novo, anunciado por Jesus, aquele que veio
para nos revelar que somos filhos de Deus e irmãos.
Este
lugar que nos abriga foi construído para nos recordar do Templo construído pelo
Mestre Hiram, obreiro competente e justo, cuja vida e lenda são como faróis a
orientar o nosso caminho. Lembremos que hoje, na celebração de exaltação ao
grau de Mestre Maçom, revivemos a grandiosa obra de construção do Templo.
Os
mestres maçons aqui reunidos em loja aberta esperam, desejam, que em cada
obreiro sejam perpetuados os
valores maiores que pautaram a vida e obra de Hiram: a cada um conforme a sua
habilidade, a sua competência e a sua dedicação ao trabalho.
Hoje
se anuncia este paradigma como sendo o de uma sociedade governada pelos valores
da meritocracia. Ou seja, a cada
um conforme o seu mérito. Que todos
se esforcem para ser dignos e justos, como é o semeador do Reino dos Céus, aos
olhos do Pai. Desejo-lhes e peço ao Pai tudo que os torne fraternos, fortes e
unidos.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, 12 de dezembro de 2011
da revelação de que todos nós somos irmãos no Cristo, e assim, filhos de Deus.
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