Loja Maçônica – Capítulo 5
A lágrima original
Há
alguns anos, fiz uma viagem ao interior de um estado próximo. Tratava-se de
conhecer uma fazenda na qual existia uma fonte natural de uma afluente do
grande rio. A fazenda ainda conservava uma parte de mata virgem, mas a sua
parte maior era dedicada à criação de gado.
Mantenho vivas na memória muitas coisas
daquela viagem e do destino. Mas, agora, reportar-me-ei, apenas, à fonte. Ao
que no interior é também chamado de olho d'água.
Era
possível acompanhar o percurso da água que brotava e como, lágrima a lágrima,
escorria pela terra, purificando-a. Todavia, neste percurso, ela ia adquirindo
uma cor, misturando-se às impurezas.
Este processo de purificação e de
mistura me faz pensar nas revelações dos profetas. Na
origem, elas podem ser expressões espiritualizadas do Logos, materializadas na
fala cultural do profeta que pertence a uma época e a uma civilização, ou seja,
a uma pessoa condicionada pelas condições concretas de uma época na qual vive.
Esta
fala, inicialmente, é transmitida de ouvinte a ouvinte, depois registrada por
um escriba, que nem sempre conheceu o profeta ou mesmo foi seu contemporâneo.
Às vezes, as escutas desta fala original, ou os testemunhos, são registrados em
outra língua. Novos divulgadores surgem, denominados de evangelizadores, e propagam
a fala original impregnada da hermenêutica do grupo organizado do qual fazem
parte. Além, claro, de todas as impurezas acrescentadas no processo do
escorregamento da lágrima original.
Também
é fácil observar que cada grupo organizado de divulgadores se constitui em uma
nova igreja. Cada nova igreja se
autoproclama a única detentora da autêntica interpretação da palavra original
do profeta. Livros são produzidos e adquirem status sagrado. Como cada igreja produz o seu, os livros
sagrados não são idênticos e cada um contém, ainda, a ideologia que cada igreja
busca como meio de controlar uma comunidade.
Assim,
a lágrima original que veio com a missão libertadora, termina por ser
referência a uma estrutura de escravidão. Todos se tornam escravos, desde os
doutores da lei até o fiel mais desprovido de entendimento dos mistérios da
lei. Nem os privilégios e regalias dos líderes religiosos são suficientes para
compensar a perda da liberdade que a palavra original do Logos lhes
proporcionava. De forma contraditória, anunciam a presença entre nós da água
viva e morrem de sede.
Apesar dos canais institucionais
construídos para direcionar a lágrima original, ela se espalha, contaminada por
impurezas, e toca o coração de uma multidão de fiéis. Esta multidão participa
de igrejas, participa de festas litúrgicas, mas não seguem o exemplo dos
pastores, não dão ouvidos às suas falas ideológicas e não se preocupam com o
destino das oferendas. O que a multidão
acalenta é o amor que a lágrima original germinou no seu
coração.
Existem outros que são fiéis ao sopro
da vida eterna que a lágrima original lhes fez sentir existente nos seus
corações. Mas, não se alinham às orientações conjunturais das igrejas e, por
isso, são frequentemente rotulados de hereges.
Quando
os hereges se manifestam, são perseguidos e muitas vezes sofrem martírio, seja
físico ou psicológico. E assim, a palavra original que veio trazer a paz da
liberdade é utilizada como pretexto para a existência da guerra
"santa". Outras vezes, a guerra "santa" é travada entre igrejas
coirmãs. E assim, quase sempre vivemos todos em um ambiente de guerra entre
irmãos.
Às vezes, os hereges se reúnem em
sociedades secretas, inicialmente para compartilhar suas experiências
espirituais e fortalecer sua fé individual. No entanto, com frequência, essas
sociedades, ao institucionalizarem regras e hierarquias, acabam se
transformando em novas formas de poder, repetindo os mesmos padrões das
instituições que criticavam. Basta para tanto a simples institucionalização de
regras, de hierarquias... de poder. Logo, logo, será possível observar a guerra
"fraternal" entre sociedades secretas. Uma nova palavra assalta o
trono: regularidade.
Flores
belas e de plástico são construídas para homenagear a mãe natureza. Flores que
embelezam, mas não possuem fragrância. Flores que não integram o olhar e o sentir.
Flores sem coração. Mas, apesar desses caminhos não possuírem coração, a
presença da lágrima original é referenciada.
Tenha
atenção, mantenha-se atento, não perca o seu centro de integração, nele a
lágrima germina e a vida eterna lhe sorri.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, ao Vale do Mirante, 2
de fevereiro de 2009 da Revelação do Cristo.
Anexo: Estrutura e Desenvolvimento da Mensagem
No
texto estabeleço uma analogia entre a água que flui da fonte e se contamina com
impurezas e a mensagem espiritual que, ao ser transmitida de geração em
geração, adquire camadas de interpretações e interesses particulares.
Em
seguida, exploro como as instituições religiosas, ao se apropriarem dessa
mensagem original, a moldam de acordo com seus próprios dogmas e interesses de
poder, transformando-a em um instrumento de controle social.
A
multidão de fiéis, por sua vez, é retratada como um grupo que, apesar de estar
inserido em instituições religiosas, busca uma conexão mais genuína e pessoal
com a espiritualidade, buscando a essência da mensagem original.
Críticas e Reflexões
Ø Corrupção da mensagem original: A busca
por poder e controle leva à distorção da mensagem espiritual.
Ø Uso da religião para justificar a
violência: A "guerra santa" é utilizada como pretexto para conflitos
e perseguições.
Ø Formalismo e ritualismo: A ênfase em
regras e hierarquias sufoca a experiência espiritual genuína.
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