Loja Maçônica – Capítulo 9
A busca no
simbolismo pelo modelo do mestre perfeito
Distante
das luzes da cidade, é possível olhar para o alto e contemplar algo além das
nuvens. Pontos de luzes como que fixos a nos mostrar a imensidão. Assim, não é
difícil imaginar a existência de uma Ordem nas estrelas.
Já
pela manhã, além das nuvens, observa-se um ponto de luz que ilumina a terra e
gira em torno dela. Essa observação nos leva a imaginar esta luz estabelecendo
uma Ordem na terra: as estações do ano, tempo de plantar, tempo de colher,
tempo de operar, tempo de espera. Na vida, a presença da Luz do Sol como fator
essencial.
Os
antigos, ao reconhecerem a importância da estrela que nasce e morre todos os
dias, como a fênix, dedicaram-lhe uma adoração: o rito solar. Esse rito é uma
referência subjacente em grande parte das sessões maçônicas simbólicas. A
importância do rito solar torna-se mais evidente quando observamos que apenas
uma estrela ditava a ordem na Terra; à noite, a Lua apenas refletia a luz
solar. Logo, havia uma única Ordem nos Céus, uma única ordem na Terra, uma
única ordem no clã, na família.
Enfim,
o ordenamento do Delta: na base, as famílias e a autoridade dos chefes de
família; na sala de aula, a autoridade do mestre; no hospital, a autoridade do
terapeuta; no país, a autoridade do chefe de Estado; no vértice superior do
Delta, no Reino dos Céus, a autoridade do Grande Arquiteto do Universo. Essa
visão, porém, era uma idealização. Ela começou a ruir quando os dados empíricos
demonstraram que a Terra girava em torno do Sol, e não o contrário. A partir deste
ponto, os modelos para descrever o macrocosmo e o microcosmo passaram a ser
baseados em dados empíricos e experimentais. Da mesma forma, a autoridade
paterna foi questionada e o poder na família passou a ser compartilhado com a
mãe. Assim também, a autoridade do rei foi questionada e o poder foi dividido
em três.
Mas,
antes dessa revolução empírica no conhecimento e na distribuição do poder, o
Rei Salomão, que herdara um império de seu pai e recebera de Deus, o Senhor dos
Exércitos, a revelação de como construir um Templo em honra ao Grande Arquiteto
do Universo, decidiu erguê-lo.
No
entanto, embora o povo de Salomão dominasse as artes do pastoreio e da guerra,
a construção de um grande templo era uma tarefa desconhecida para eles. Assim,
Salomão solicitou a ajuda do Reino de Tiro, que prontamente enviou à Cidade da
Paz o virtuoso Mestre Hiram, um dos melhores arquitetos do reino.
Toda
uma grande narrativa é apresentada na Lenda de Hiram, que serve de fundamento
para a maçonaria simbólica. Hiram é a encarnação do Mestre Perfeito e, como
tal, propõe e impõe uma ordem nos trabalhos: a cada um conforme seu dom,
habilidade, competência e mérito.
A
distribuição dos trabalhos e a hierarquia estabelecida geraram a revolta
daqueles que não se beneficiavam dela. Um grupo de três obreiros, que ocupavam
o grau de companheiro, insurgiu-se contra a ordem na construção do Templo.
Movidos pela ambição, desejavam obter por meio da força, e não do conhecimento,
a palavra sagrada, confiada apenas aos mestres.
Três
desses revoltosos assumiram a missão de tomar à força a palavra que revelava o
segredo da Ordem, resultando no martírio do Mestre Perfeito e na perda da
Palavra Sagrada. Em consequência, outro mestre assumiu os trabalhos, e uma nova
palavra foi escolhida. Desde então, a palavra sagrada original foi perdida, e o
templo permanece inacabado.
O
que podemos aprender com essa narrativa? Encontramos uma infinidade de
interpretações, dependendo da compreensão de cada escritor, maçom ou não, que
se dedica a estudar a Ordem Maçônica. É como se a Lenda de Hiram fosse
compreendida de acordo com o nível de consciência de cada indivíduo. Como os
níveis são diversos, as interpretações também o são.
Alguns
obreiros, ao serem elevados ao Grau de Mestre, sentem-se satisfeitos com a
palavra substituta, mesmo que a frase "a carne lhe desprende dos
ossos" seja sugestiva. Embora seja evidente que a nova palavra não contém
o Logos, é muito confortável imaginar-se um Mestre, tendo sido exaltado como
tal por seus irmãos.
Outros
entendem que a palavra perdida deve ser encontrada. Portanto, a exaltação se
constitui, na verdade, em uma revelação de que lhes foi confiada apenas um
certificado, indicando que todos continuam na condição de "eternos
aprendizes". Estes continuam a trabalhar no simbolismo, no que une, na
espera de um dia alcançar a iniciação plena nos mistérios maçônicos.
No
entanto, as duas opções apresentadas não esgotam as possibilidades. Outros
propuseram diferentes extensões da narrativa original, consolidando assim
diversos ritos com novos graus iniciáticos. A extensão da narrativa varia de
acordo com o rito e, consequentemente, com o número de graus iniciáticos a ele
acrescidos.
Na
narrativa proposta no Rito Adonhiramita, a extensão da Lenda original passa,
antes, por uma modificação da mesma. Não só pela nova denominação da lenda;
mas, principalmente, pela identificação do Grande Arquiteto do Universo com o
Deus Amor, anunciado pelo apóstolo João.
Neste
espaço aberto ao diálogo, não posso revelar mais nada a quem não é iniciado na
Arte Real. Todavia, muito já foi revelado ao obreiro da Maçonaria Simbólica.
Sugiro,
como pista para aqueles que buscam a Palavra perdida, que releiam os cinco
primeiros versículos do hino de João, que ecoam ainda hoje nas organizações
maçônicas. Em alguns ritos, a abertura dos trabalhos no nível de aprendiz se dá
com a leitura do prólogo do livro de João, anunciando assim que a Palavra
Sagrada é o que os anima.
1.
No princípio: o Logos, o Logos está voltado para Deus, o Logos é Deus.
2.
No princípio, ele está com Deus.
3.
Todas as coisas foram feitas por meio dele; sem ele: nada.
4.
Ele é a vida de todo o ser, a vida é a luz dos homens.
5.
E a luz brilha nas trevas, mas as trevas não conseguem alcançá-la.
No
princípio era o "davar", a palavra hebraica que corresponde ao
"logos" grego, representando a promessa divina, a ação criadora e a
ordem primordial. Essa palavra divina é a informação estrutural que molda e
sustenta todo o universo.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro
Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, transcorridos 23 dias, sete
meses e 2015 anos da revelação da Luz.
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