Loja Maçônica - A Maçonaria e as Organizações Maçônicas
Embora muitos obreiros filiados a uma dada organização maçônica façam a
identificação da maçonaria com a própria organização, há uma distinção, nem tão
sutil assim, entre a maçonaria e as organizações maçônicas. A maçonaria é um
corpo de ideias delimitadas pelos seus landmarques. Enquanto que as
organizações maçônicas (Potências, Ordens, Obediências) são entidades concretas
constituídas na observância destas delimitações teóricas.
Isto posto, parece simples identificar se uma dada organização é maçônica ou não. Todavia, não é tão simples assim. Em primeiro lugar não há consenso sobre quais são os apropriados limites definidores da maçonaria. Embora, a maioria das organizações aceite, total ou parcialmente, a compilação apresentada por Mackey em 1850, que é constituída por 25 preceitos ou normas, como os que caracterizam uma genuína organização maçônica.
Os principais landmarques tratam do Grande Arquiteto do Universo; a imortalidade da alma; do local da loja; os processos de reconhecimento; a divisão da maçonaria simbólica; a lenda de Hiram; o governo da loja; a conservação secreta dos sinais, toque e palavras e o uso dos símbolos como fonte dos ensinamentos morais.
Assim, a maçonaria universal seria apenas um núcleo básico de preceitos observados pelas potências com a finalidade de mútuo reconhecimento da condição maçônica. Embora nem todos os 25 preceitos, compilados por Mackey em 1850, sejam atualmente seguidos, eles atuam ainda como a referência do que é maçonaria. Passemos uma breve vista nestes preceitos.
1º Os processos de reconhecimentos são
imutáveis.
2º A Maçonaria se divide em três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre.
3º
A lenda de Hiram Abif é a identidade do terceiro grau e a sua instituição é de
aceitação obrigatória.
4º O governo da Ordem é exercido por um Grão-Mestre eleito por sufrágio universal direto ou indireto de todos os Maçons na plenitude de seus direitos.
5º O Grão-Mestre preside todas as reuniões maçônicas em que se fizer presente.
6º O Grão-Mestre tem a prerrogativa de conceder graus, dispensando as
formalidades.
7º O Grão-Mestre tem a prerrogativa de criar e extinguir Lojas em caráter de
emergência.
8º O Grão-Mestre tem a prerrogativa de fazer maçons, dispensando as formalidades.
Comentário: Os landmarques do quarto ao oitavo não são plenamente observados no GOPB, e, acredito que também não os sejam nas demais potências maçônicas simbólicas brasileiras. Uma vez que eles dão um caráter absolutista à administração de uma obediência maçônica, enquanto que a maçonaria pretende ser uma instituição democrática. Na verdade, o governo de uma obediência hodiernamente é exercido por três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Todavia, em situações excepcionais, as lojas podem solicitar ao Grão-Mestre o exercício das prerrogativas estabelecidas nos landmarques sexto e oitavo. A criação e a extinção de lojas obedecem aos procedimentos estabelecidos na Constituição e no Regimento Geral da obediência, todavia algumas exigências podem ser dispensadas pelo Grão-Mestre.
10º
A Loja é governada por um Venerável e dois vigilantes, todos colados no grau de
Mestres Maçons.
11º Todo
maçom tem direito a de representar-se e outorgar representação.
12º
Todo maçom tem direito a recurso.
13º
A Loja só pode operar em lugar coberto.
14º
Todo maçom tem direito de visitar e tomar assento em outra Loja.
15º
Todo visitante a uma Loja deve ser telhado, salvo se sua condição maçônica for
de conhecimento de um membro desta Loja, o qual por aquele se responsabilizará.
16º
Nenhuma Loja pode interferir em assunto de outra e conceder graus a membros que
não se seu quadro.
17º
Todo Maçom está subordinado às Leis da Potência a qual está jurisdicionado.
18º Só serão aceitos na Maçonaria cidadãos do sexo masculino, fisicamente saudáveis, em todos os sentidos livres e de bons costumes.
Comentário: Este landmarque, proposto em uma época de grandes dificuldades de reuniões em associações fora da Igreja, ainda hoje é obstáculo para o relacionamento harmonioso das organizações maçônicas. A exigência de que o candidato a Ordem seja livre e de bons costumes é comum a qualquer organização social, sem problemas. Enquanto que a exigência de que o obreiro seja fisicamente saudável vem sendo negligenciada, em favor da exigência de ser moralmente saudável, a exclusão de pessoas do sexo feminino é questionável. Argumenta-se que o homem na sua inteireza acolhe o princípio masculino (vigor) e o princípio feminino (ternura). Talvez por entrever isto, é que a maçonaria simbólica ostenta nos seus templos os símbolos dos sagrados: masculino e feminino - a exemplo do sol e da lua ou do abraço do esquadro e do compasso sobre o Livro da Lei. Talvez seja a exclusão do feminino a razão da existência de tantas cisões maçônicas nas organizações maçônicas exclusivamente masculina.
21º Toda sessão maçônica terá, sobre um altar, um livro da lei aberto.
22º Todos
os maçons são iguais por princípio.
23º Os
conhecimentos maçônicos são secretos e transmitidos de Maçom a Maçom
iniciaticamente.
24º Os
conhecimentos maçônicos são representados de forma simbólica.
Comentário: Os landmarques vigésimo terceiro e quarto estabelecem o que é comum a qualquer grupo de estudiosos de um conhecimento específico: é necessária a posse de uma hermenêutica apropriada para ser detentor do conhecimento do grupo. Nada de excepcional! Só tem acesso aos tratados de teologia cristã, por exemplo, quem foi iniciado na hermenêutica cristã. Os maçons formam uma sociedade secreta, no mesmo sentido de que os padres formam na igreja uma sociedade secreta. Nada mais.
25º
Nenhum Landmarque jamais será suprimido ou alterado, nem outros serão
acrescentados.
Comentário: Um landmarque que se seguido traria uma petrificação a obras dos pedreiros. Assim, é menos observado.
Desta leitura podemos concluir que o critério disponível, para discernir se uma organização é maçônica ou não, necessita de atualização. Como não se apresenta um novo, em nome da tradição, entramos no terreno dos tratados de mútuo reconhecimento.
Assim como eu não posso afirmar se sou maçom – faz-se necessário que os demais obreiros me reconheçam como tal – as organizações ditas maçônicas têm buscado o mútuo reconhecimento.
Até aqui sem problemas. Qualquer potência maçônica poderia, em princípio, reconhecer como regulares todas as demais ou apenas algumas. Assim como eu posso reconhecer como bons todos os seres humanos, ou apenas alguns. Isto não retiraria dos que eu não os reconhecesse a qualidade de bondade, caso elas fossem portadoras.
O problema é que existe uma moda nefasta, sectária, de querer considerar as que não foram reconhecidas como potências regulares, como potências espúrias. O que significa no mínimo dizer que elas não são legítimas.
Existe até a pretensão de eleger o fato de uma potência ter o seu nome constante na “List of Regular Lodges” como condição de não ser difamada como espúria. Uma grande tolice, pois não existe um critério absoluto para discernir se uma Potência é Legítima ou não. Exceto a apresentação de resultados, dos frutos do trabalho.
Posso ainda propor um critério mais simples: O maçom contemporâneo é um ser voltado para o acolhimento do outro, do diferente, aberto ao diálogo, oferecendo uma visão integrada do homem no mundo em mudança. Penso que se uma entidade propicia as condições para que os seus obreiros possuam uma prática do maçom contemporâneo, então, ela é uma organização maçônica.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, nas areias do oceano atlântico, aos vinte e um dias de fevereiro de dois mil e trezes anos do nascimento do Sol.
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