Loja Maçônica - O Barro e o Artífice
É fato sabido que a um pedaço de
barro molhado é possível imprimir várias formas, criando objetos utilitários
ou, simplesmente, para serem apreciados como belos. Enquanto o barro estiver
úmido é possível fazer mudanças na forma, buscando o objeto desejado mediante
um projeto prévio ou, apenas, guiado pela intuição. Depois de satisfeito o
desejo do artífice, o objeto encontrado é levado ao fogo para ter a sua forma
preservada.
Algo semelhante a esta última etapa
acontece com o homem quando ele é colocado diante de um desafio. A vitória terá
o poder de enrijecer as qualidades (virtudes ou defeitos, conforme o ponto de
vista) que propiciaram tal feito. Ela é igual a fogo no barro.
Quando ainda aprendiz, eu fui
colocado na condição de mestre. Precisava de uma profissão e esta me foi
oferecida. Todavia, tudo que eu sabia de ensino fora aprendido na condição de
aluno e, muitas vezes, na condição de observador passivo.
Deparei-me com um grupo carente que
aceitava de bom grado o que lhe fosse oferecido. Algo assim como: melhor pouco
do que nada. Consegui passar pelo fogo da primeira sessão e voltei igualzinho à
segunda. Isto é, com as características que me fizeram vencedor naquele
desafio. A forma estava cristalizada pelo fogo do êxito. Nesta pedra bruta era
admissível, apenas, polimentos.
Muitas outras situações semelhantes
me foram colocadas ao longo da vida. O que vale dizer, sem prévio treinamento,
sem a fundamentação sólida necessária e suficiente. E, igualmente, as vitórias
foram imprimindo as suas marcas.
Hoje, em frente ao portal que conduz a terceira idade, contemplo o meu semblante e não me sinto satisfeito. Faltou um projeto consistente e consciente. Tudo, ou quase tudo, fora feito na base da pura intuição ou improviso.
Se eu fosse de um barro comum - assim com você não é
- seria impossível qualquer mudança. Entretanto, o barro que nos constitui leva
o sopro do Logos. No humano há um elemento que torna o barro velho e endurecido
em um barro novo e maleável. É o sofrimento, decorrente de perda ou derrota.
Quanto, então, surge uma audição com
o eu divino (o Logos), muito diferenciada da fala do ego. Este chora pelo apego
à forma antiga do campeão, que jaz quieto e derrotado pelas novas exigências da
vida no deserto. Aquele mostra no horizonte um amplo sorriso de criança que
acolhe e oferece uma vida em eterna plenitude, sem ser mais uma miragem. E,
assim, no ápice do deserto, é possível encontrar o caminho que conduz ao oásis.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, aos 26 dias do mês de Tamuz do ano 6011 da V\L\.
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