Loja Maçônica – Capítulo 11


“No decorrer da sua caminhada histórica, a Ordem Maçônica passou de sociedade secreta para sociedade discreta, e, como sociedade iniciática e filosófica – entre muitos outros atributos de seus princípios e da sua natureza – torna-se cada vez menos mística e cada vez mais holística, naturalmente sem perder as suas grandiosas características ou qualidades místicas, simbólicas, educativas e filantrópicas”. Antonio Mariano Sobrinho, “Huzzé” – O poder da Maçonaria.

 

O ideal e o concreto

 

Muitos são os irmãos escritores que erram ao identificar a Maçonaria com as Organizações Maçônicas. Essa confusão é semelhante àquela que se faz ao confundir o Comunismo com os Estados que o adotam. Assim como é comum confundir o Comunismo com os Estados que o adotam, também é comum confundir a Maçonaria com suas diversas expressões organizacionais.

 

Identificar, por exemplo, Cuba como o comunismo é no mínimo temerário. É o mesmo que aplicar ao comunismo a definição reducionista: qualquer sistema econômico e social baseado na propriedade coletiva. Todavia, a utopia comunista é muito mais que isso. É igualmente temerário identificar a Maçonaria com qualquer organização maçônica regular, ou não. Quem assim o faz observa apenas os landmarques copilados por Albert Mackey.

 

A afirmação comum entre os maçons brasileiros de que a maçonaria atual é resultado da transição de uma sociedade secreta para uma discreta revela um equívoco conceitual. De fato, no passado, as Lojas Maçônicas (unidades básicas da organização maçônica) costumavam se reunir em locais secretos. No entanto, há séculos que os templos maçônicos são construídos em áreas urbanas, registrados em cartórios e ostentam símbolos identificadores. Mesmo assim, a Loja Maçônica em si, ou seja, a reunião dos maçons em sessão, mantém um caráter secreto, sendo acessível apenas aos membros iniciados em determinados graus. É importante não confundir a Loja Maçônica (a reunião dos maçons) com o Templo Maçônico (o local da reunião).

 

Além disso, o acesso às reuniões da Loja é restrito aos membros iniciados em um grau igual ou superior ao da sessão. Ou seja, dependendo do tema da reunião, a Loja pode ser inacessível não apenas para pessoas não iniciadas, mas também para muitos maçons. Portanto, a maçonaria, quando vivenciada em uma reunião, nunca foi e nunca será apenas discreta, mas sim essencialmente secreta.

 

Há ainda outro equívoco subjacente a essa afirmação: a ideia de que a maçonaria está se tornando menos mística e mais holística. A verdade é que a força da Maçonaria reside justamente em sua dimensão mística, ou seja, em seus símbolos, rituais e ensinamentos espirituais. Afirmar que a mística está se enfraquecendo é o mesmo que dizer que a ordem está sendo corrompida pelas forças do caos.

 

Essa afirmação reflete a realidade? O irmão Antônio Mariano Sobrinho parece concordar. Seu testemunho, marcado pela honestidade e erudição, merece nossa atenção. No entanto, se essa tendência de enfraquecimento da mística maçônica de fato existir, ela deve ser combatida. Aliás, parece ser esse o objetivo do irmão escritor.

 

Uma instituição mais holística, nesse contexto, pode ser entendida como aquela que considera o ser humano como um todo indivisível, não se limitando a uma visão fragmentada de seus componentes (físico, psicológico ou psíquico).

 

Essa perspectiva antropológica, que considera a existência de corpo e alma, está presente desde a fundação da primeira potência maçônica, que já reconhecia a importância da alma. Assim, a Maçonaria, desde sua origem, apresentava uma abordagem tanto holística (em seu aspecto público) quanto mística (em seu aspecto interno). Afirmar que um aspecto se sobrepõe ao outro é o mesmo que dizer que uma determinada organização maçônica prioriza um em detrimento do outro.

 

É importante ressaltar que existem maçons que adotam outras visões antropológicas, ainda mais integradoras, que relacionam o indivíduo ao Divino de forma mais complexa. Um exemplo é a visão ternária, que postula a existência, no ser humano, de corpos físico, mental e espiritual.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, vale do Mirante, aos vinte e oito dias do mês de junho de 2013 anos da Revelação do Cristo entre nós e em nós.

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