Loja Maçônica – Capítulo 4
Regularidade Maçônica - Terceira Parte - 03/03
Vimos
que o Grande Oriente do Brasil (GOB) não reconhece o Grande Oriente da Paraíba
(GOPB) como regular, portanto, proibiu a seus obreiros visitar lojas da nossa
potência e vetou (naturalmente) a entrada de obreiros do GOPB nos templos das
Lojas do GOB. Se toda ação gera uma reação, qual a do GOPB?
Até
o presente momento, o GOPB não manifestou uma posição definitiva a respeito
desta questão. Na Prancha Circular GM nº 001/2014-2018, o Grão-Mestre, poderoso
irmão Onildo Silva Almeida Filho, recomendou que os membros do GOPB só
exercessem a visitação às Oficinas do GOB se fossem formalmente convidados.
Mas,
é claro que não serão, pois são considerados irregulares. O Grão-Mestre Geral
do GOB é muito zeloso em defender o que foi definido na “List of Lodges”,
versão 2014, como o mundo maçônico. Dessa forma, não haverá tal convite por
parte do GOB a um maçom irregular. Aliás, qualquer obreiro filiado ao GOB que
visitar uma loja do GOPB será severamente punido por sua potência.
Além
disso, na Prancha Circular GM nº 001/2014-2018, o Grão-Mestre orienta que se
recebam fraternalmente os irmãos pertencentes ao GOB. No entanto, não
apresentou nenhuma justificativa adicional, inclusive omitiu a razão pela qual
o GOPB não consta da "List of Lodges".
Note-se que o Grão-Mestre do GOPB
apenas emite uma orientação, não uma determinação. Aqueles que acolhem essa
orientação demonstram desconhecer a história. Essa orientação, em minha
particular compreensão, é provisória, cortês e constitui apenas uma estratégia
para que nosso Grão-Mestre tome uma decisão após ouvir as lojas da nossa
potência.
Embora
cortês, essa orientação é também temerária, pois incentiva a desobediência e,
consequentemente, compromete a legitimidade da nossa potência. Por coerência
com os princípios maçônicos, não devemos acolher maçons do GOB em nossa loja,
uma vez que isso configuraria cumplicidade com a desobediência a uma ordem do
Grão-Mestre Geral do GOB. Nenhuma organização maçônica legítima pode, em
hipótese alguma, incentivar, acolher ou cooperar com atos de desobediência.
Presumo que o Grão-Mestre de nossa
potência deseja ouvir a opinião dos obreiros. Assim, desde já, manifesto minha
opinião de que a assinatura de um tratado de reconhecimento mútuo não é
benéfica para ambas as potências. Essa posição não se fundamenta em
ressentimentos, embora existam motivos históricos, mas sim em uma lógica
existencial.
A
própria fundação do Grande Oriente Independente da Paraíba — assim denominado
por seus fiéis e dignos fundadores — demonstra a existência de diferenças
intransponíveis entre as duas potências, impedindo qualquer fusão ou confusão.
Somos independentes justamente por
sermos diferentes. Nossas práticas divergem e, em um ambiente competitivo,
disputamos a adesão de novos membros. Essa disputa, nem sempre fraterna, torna
inviável um tratado de reconhecimento mútuo, que apenas restauraria a falsa
ideia de que somos irmãos unidos por laços fraternos e cooperativos. Essa
falácia foi explicitamente desmascarada pela prancha N. 110/2014 – GGMG,
emitida pelo GOB, e já havia sido enfraquecida pelas sucessivas tentativas de
cooptação de nossas lojas.
Necessitaria enumerar e descrever, por exemplo, as ações que culminaram na perda das lojas "Fraternidade e Luz" e "Demóstenes Cunha Lima", situadas em Campina Grande, para o GOB?
Será preciso lembrar que o GOB tem
incorporado aos seus quadros obreiros provenientes do GOPB, sem que estes
apresentem qualquer documentação que os libere dos compromissos e do juramento
assumidos perante o GOPB
Creio
que devemos agradecer ao GOB por ter tornado pública nossa condição de
irregularidade em relação a ele. Da mesma forma, os dirigentes do GOPB deveriam
declarar formalmente que nossa potência não reconhece o GOB como potência
regular.
Desse modo, estabeleceríamos uma
relação paritária, na qual os obreiros das lojas do GOB não seriam reconhecidos
como regulares por nós, assim como o GOB não nos reconhece.
Aliás,
lamento que o GOPB não tenha sido proativo ao comunicar a irregularidade do
GOB. A conduta do GOB na Paraíba compromete o próprio conceito de regularidade
maçônica, ao aceitar em seus quadros obreiros do GOPB sem a devida
regularização. Ao filiar maçons que violaram seus juramentos, o GOB nega os
princípios fundamentais da Maçonaria.
Não se trata de retaliação, mas da
aplicação equânime dos princípios maçônicos. O reconhecimento mútuo é um princípio
básico da Maçonaria, e a falta de reconhecimento por parte de uma potência
implica na mesma atitude por parte da outra.
Caso
essa medida não seja adotada, não disporemos mais de critérios válidos para
impedir a filiação em nossas lojas de maçons provenientes de potências não
reconhecidas pela "List of Lodges" de 2014, assim como nós não somos
reconhecidos pelo GOB.
Não devemos jamais esquecer os motivos
que levaram à criação da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB). Toda
instituição possui uma história que deve ser preservada e respeitada.
Recomendo
aos novos Irmãos a leitura de "Uma luz na História - A formação e o
sentido da COMAB", de Octacílio Schüler Sobrinho. Publicada em 1997, com o
aval da COMAB, essa obra era distribuída aos Aprendizes Maçons nas lojas do
GOPB, demonstrando a importância de diferenciar nossas instituições.
Para aqueles que nutrem a ilusão de uma
possível união entre a COMAB e o GOB, sugiro a seguinte reflexão: a COMAB é uma
confederação de potências autônomas e independentes, com princípios e valores
próprios. Seu objetivo é fomentar o conhecimento e a democracia,
distanciando-se do culto à personalidade.
É importante ressaltar que a criação dos Grandes Orientes Independentes e, posteriormente, da COMAB, foi uma consequência direta do cisma ocorrido no GOB em 1973. Diante desse histórico, é difícil imaginar que o GOB reconheça a COMAB como uma potência regular.
O
Irmão Natanael L. Santana, em recente conversa, destacou a complexidade do
conceito de regularidade maçônica, comparando-o a questões de Direito
Internacional Público. Segundo ele, a regularidade de uma potência maçônica
está diretamente ligada ao reconhecimento de outras potências, e nenhuma
potência possui reconhecimento mundial. Considerando essa perspectiva, e o fato
de que, para muitos, nem mesmo o GOB é considerado totalmente regular.
A
questão central que nos interessa é a seguinte: nossa potência maçônica é
legítima?
Para ilustrar essa questão, utilizarei
uma alegoria. Imaginemos um maçom casado e pai de família, cujos filhos
frequentam a mesma escola que os filhos de seu vizinho. Ambas as famílias são
tradicionais, com o pai como autoridade máxima. Suponhamos que, por alguma
razão, o vizinho proíba seus filhos de visitar a casa do maçon.
Notem
que esta ordem não retira dos filhos a condição de serem colegas de colégio, de
serem estudantes, de serem amigos, nem de serem filhos, embora de pais
diferentes.
Um determinado dia, os filhos do
vizinho, em desobediência à ordem do seu pai, vão à casa do maçom. Então, este
estando em casa, que deve fazer? Acolhê-los ou vetar a entrada dos mesmos?
Ao
vetar a entrada dos meninos, o maçom não apenas reforçaria a autoridade paterna
em sua casa, mas também demonstraria coerência com os princípios maçônicos,
sendo reconhecido como um obreiro leal e dedicado.
Poeta
Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de
Melquisedec, aos 21 dias do mês de Elul do ano 6014 de VL
Nota: A realidade das relações entre as potências maçônicas GOB e GOPB atuantes na Paraíba, descrita neste artigo, diz respeito até o ano de 2014, ano em que o presente artigo foi escrito. 4.
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