Loja Maçônica – Capítulo 3

Regularidade Maçônica - Segunda Parte - 02/03

 

Na primeira parte deste artigo, demonstramos que a regularidade maçônica de um obreiro é reconhecida pela loja à qual está filiado. No entanto, a realidade da Maçonaria é bem mais complexa. A questão que abordaremos agora é: como determinar se uma loja possui a autoridade para reconhecer a regularidade de um maçom?

 

Se houvesse apenas uma loja maçônica, a resposta seria simples: ela seria a autoridade máxima e, portanto, teria o poder de definir a regularidade de todos os seus membros. Contudo, a Maçonaria se organiza em diversas lojas, as quais, por sua vez, se agrupam em organizações maiores denominadas potências maçônicas. Essas potências estabelecem um conjunto de normas e princípios que devem ser seguidos por todas as lojas a elas filiadas, os quais são definidos em suas respectivas Constituições e Regulamentos Gerais.

 

Qualquer loja que faça parte de uma potência também está sujeita aos critérios de regularidade. Assim como um obreiro pode ter seu status regular reconhecido ou não por sua loja, uma loja, por sua vez, pode ser considerada regular ou irregular pela potência à qual está filiada. A potência, sendo uma organização superior à loja, possui a autoridade para avaliar a conformidade da loja com os princípios maçônicos.


Cada potência maçônica se autodeclara soberana e legítima, com o objetivo de construir uma sociedade justa e perfeita, baseada nos princípios da meritocracia, como ilustrados na Lenda de Hiram.

 

Dessa forma, a regularidade de uma loja é conferida pela potência à qual ela está vinculada, sendo esta a autoridade competente para autorizar a loja a iniciar e reconhecer a regularidade de seus membros. Esse processo segue o princípio da verticalidade do poder, onde a decisão final sobre a regularidade de um obreiro reside na potência à qual sua loja pertence. O mundo maçônico, nesse sentido, apresenta uma estrutura hierárquica bem definida.

 

Cada potência maçônica se autodeclara soberana e legítima, com o objetivo de construir uma sociedade justa e perfeita, baseada nos princípios da meritocracia, como ilustrados na Lenda de Hiram.

 

Como se estabelece a regularidade de uma potência maçônica?

 

A resposta a essa pergunta reside no conceito de reconhecimento mútuo. As potências maçônicas, em busca de estabelecer critérios comuns e fortalecer os laços entre si, firmam tratados nos quais reconhecem mutuamente sua regularidade. Ou seja, cada potência signatária de um tratado declara que as demais potências signatárias também são regulares.

 

Nesses tratados, são estabelecidos os princípios e normas que devem ser respeitados por todas as potências signatárias. É importante destacar que o reconhecimento mútuo se baseia no princípio da horizontalidade, onde potências de igual status se reconhecem mutuamente, sem a necessidade de uma autoridade superior.

 

Este tratado pode ser público ou não. No entanto, à medida que mais potências aderiram a esses acordos de reconhecimento mútuo, tornou-se necessário divulgar a lista das organizações maçônicas participantes. Um exemplo disso é a "List of Lodges" de 2014, um catálogo que reúne as potências que aderiram a determinado tratado.

 

É assim que se estabelece o reconhecimento da regularidade entre as potências maçônicas. No entanto, nem todas as potências aderiram ao mesmo tratado. Consequentemente, existem diversos grupos de potências, cada um com seu próprio acordo de reconhecimento mútuo, que reconhecem apenas as potências que fazem parte do seu grupo. Essa fragmentação gera uma situação em que uma potência pode ser reconhecida por um grupo e não por outro.

 

A potência maçônica GOPB, como já foi amplamente reconhecido, não é signatária do tratado que reúne a potência maçônica GOB e outras potências similares. Consequentemente, quando o GOB aderiu à 'List of Lodges', deveria ter cessado o reconhecimento da regularidade das potências que não faziam parte desse acordo, incluindo o GOPB.

 

Não compreendo as razões pelas quais o Grão-Mestre do GOB demorou a comunicar oficialmente essa decisão. A afirmação de que o GOPB não é reconhecido como regular pelo GOB é um fato que não deve gerar polêmicas ou ressentimentos.

 

É importante ressaltar que o GOPB, assim como o GOB, é uma legítima potência maçônica. A diferença entre elas reside no fato de que o GOB não reconhece a regularidade do GOPB, e vice-versa. Essa divergência é inerente às relações entre as diferentes potências maçônicas e não deve ser motivo para conflitos.

 

O que a potência GOPB pode fazer para ser reconhecida como regular pelo GOB? A resposta é simples: atender a todos os requisitos estabelecidos no tratado que o GOB assinou e apresentar um pedido formal para análise e deliberação do grupo de potências signatárias. No entanto, antes de tomar essa decisão, o GOPB deve consultar suas lojas e seus membros para verificar se há consenso sobre a conveniência de buscar esse reconhecimento.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz e Noaquita - oráculo de Melquisedec, aos 21 dias do mês de Elul do ano 6014 de VL.


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