O Mestre Indaga ao Aprendiz – III


Qual o impacto da facilitação do ingresso na Maçonaria?

 

Para abordarmos essa questão, transcreveremos uma mensagem que recebi recentemente. Nela, o autor expressa profunda preocupação com a situação atual de algumas Lojas Maçônicas, atribuindo-a, em parte, à facilidade de ingresso na Ordem. Segundo ele, essa abertura tem levado à entrada de membros sem a devida preparação, priorizando o ego e a vaidade em detrimento dos valores maçônicos.

 

Mensagem

 

“A Maçonaria, ao longo de sua história, sempre buscou conciliar tradição e inovação. No entanto, nos últimos anos, a Ordem tem enfrentado um desafio peculiar: a relação tensa entre a expansão e a preservação de seus valores fundamentais. A proliferação de membros cuja adesão à Ordem parece motivada mais por aspirações sociais do que por um genuíno interesse nos princípios maçônicos representa uma ameaça à essência da Instituição”.

 

Resposta

 

Essa situação pode ser atribuída a diversos fatores, como a busca por crescimento numérico a qualquer custo, a falta de rigor nos processos de seleção e a ausência de programas de formação adequados. A presença de membros pouco engajados pode levar à desmotivação dos membros mais antigos, à perda da identidade da Loja e, consequentemente, à fragilização da própria instituição.

 

Assim como um medicamento, destinado a combater um sintoma específico, pode tanto curar quanto agravar uma doença, a Maçonaria, ao buscar desenvolver a humildade, pode paradoxalmente inflamar o ego, se não houver um acompanhamento constante e um compromisso genuíno com os princípios da Ordem.

 

É fundamental que as Lojas Maçônicas revivam seus procedimentos de aceitação à iniciação, tornando-os mais significativos e exigentes. Além disso, a criação de programas de formação contínua e a promoção de um debate aberto sobre os valores e princípios da Ordem são medidas indispensáveis para garantir a qualidade dos membros e a perenidade da Instituição.

 

A Maçonaria, enquanto caminho de autoconhecimento e libertação, busca guiar o homem à sua essência divina. Contudo, a busca por poder e domínio pode desviar o indivíduo desse caminho, transformando a Maçonaria em um instrumento de egoísmo e ambição.

 

O papel do Mestre Maçom

 

A figura do Mestre Maçom, ao longo da história da Ordem, sempre desempenhou um papel fundamental na formação e no desenvolvimento dos Aprendizes. Inspirado nos antigos mistérios, o Mestre assume o papel de guia espiritual e intelectual, conduzindo o iniciado em uma jornada de autoconhecimento e aperfeiçoamento moral.

 

Além de transmitir os conhecimentos teóricos da Ordem, o Mestre Maçom, enquanto mentor, deve auxiliar o Aprendiz a vencer os obstáculos inerentes ao processo de autoconhecimento, como a superação do ego e o desenvolvimento da paciência. O Mestre deve cultivar um ambiente de confiança e respeito mútuo, no qual o Aprendiz se sinta à vontade para expressar suas dúvidas e buscar orientação.

 

O Mestre Maçom é, portanto, um líder que inspira e orienta a Loja, promovendo um ambiente de estudo, reflexão e crescimento espiritual, onde os princípios maçônicos possam ser vividos em sua plenitude. Ao demonstrar em suas ações os valores da virtude, da tolerância e da fraternidade, o Mestre serve como um exemplo a ser seguido por todos os membros da Loja, contribuindo para a construção de uma comunidade mais justa e fraterna.

 

O Desafio da Transformação

 

A metáfora da pedra bruta, frequentemente utilizada para simbolizar o Aprendiz Maçom, evoca a ideia de um potencial latente a ser revelado através da lapidagem. Esse processo de transformação, intrínseco à experiência maçônica, exige paciência, perseverança e, sobretudo, uma disposição genuína para o autoconhecimento.

 

A Loja Maçônica, enquanto um organismo vivo, também está sujeita a processos de transformação. A capacidade de adaptar-se às mudanças sociais e culturais é fundamental para a perenidade da Ordem. No entanto, a dinâmica de grupo, embora essencial para o desenvolvimento da fraternidade, pode, por vezes, ser permeada por ambições individuais que comprometem o propósito maior da Loja.

 

A evolução espiritual é, em última análise, uma jornada individual. A Maçonaria oferece as ferramentas e o ambiente propício para essa jornada, mas a decisão de utilizá-las e o esforço para se aperfeiçoar cabem a cada maçom.

 

A mensagem que recebemos nos convida a uma profunda reflexão sobre os desafios da Maçonaria contemporânea. A necessidade de uma análise criteriosa dos processos de ingresso, a importância da educação contínua e a adaptação aos novos tempos são questões cruciais para a perenidade da Ordem. Para garantir a perenidade da Ordem, é fundamental investir em programas de formação contínua, promover a pesquisa sobre os fundamentos da Maçonaria e estimular o debate sobre os desafios contemporâneos

 

Exortação

 

A jornada maçônica é um caminho árduo e repleto de desafios. No entanto, é também uma jornada de autoconhecimento e transformação. Ao longo dos séculos, a Maçonaria tem se adaptado às mudanças da sociedade, preservando seus princípios fundamentais. Diante dos desafios atuais, é fundamental que cada maçom assuma sua responsabilidade e se engaje ativamente na construção de uma Maçonaria mais forte, mais inclusiva e mais relevante para o mundo contemporâneo. Que a luz da razão e da fraternidade guie nossos passos e nos inspire a construir um futuro mais promissor para a humanidade.

 

Amados Irmãos, desejo que o nosso contentamento seja contribuir para o desenvolvimento da Maçonaria.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz, Cavaleiro Noaquita - oráculo de Melquisedec, e Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito. Campina Grande, 6 de novembro de 2024.


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