O Mestre Indaga ao Aprendiz – IV


Porque construir templos?

 

Ao longo da história, a humanidade tem construído templos como expressão de sua busca por significado e conexão com o transcendente. Essas edificações sagradas, presentes em diversas culturas e religiões, desempenham um papel fundamental na vida espiritual das pessoas. Mas o que, afinal, motiva a construção de templos? Qual o significado desses espaços sagrados em nossa sociedade contemporânea?

 

A figura de Jesus tem sido objeto de estudo e debate ao longo dos séculos. Para os maçons, a busca pela verdade e a compreensão dos símbolos são pilares fundamentais da jornada iniciática. Neste contexto, a análise da figura de Jesus e da evolução do cristianismo se torna especialmente relevante. Ao longo da história, a interpretação dos ensinamentos de Jesus tem sido moldada por diversos fatores, como o contexto cultural, as necessidades políticas e as aspirações espirituais da humanidade.

 

Jesus, o mensageiro da paz

 

Jesus traz a paz e o simbólico que une, ao invés da guerra e do que separa e desagrega os filhos do Pai. Além de enfatizar a paz e a união, Jesus também ofereceu uma nova perspectiva sobre a adoração divina. Não prescreveu a necessidade de construir templos físicos, revelando que o verdadeiro templo reside no coração humano. A construção de catedrais, portanto, é secundária em comparação com o cultivo da espiritualidade individual e coletiva.

 

Jesus não é o Pai, mas sim o Filho, que nos mostra, por meio de sua vida e ensinamentos, que todos somos filhos do Pai Celestial.

 

Não adianta construir catedrais à Glória do Pai. O templo que Deus habita já existe e está no coração de cada filho que se reconhece como irmãozinho de Jesus. A construção de templos de pedra e minerais tem valor apenas como um meio de fortalecer os laços entre os irmãos e cultivar o cuidado mútuo.

 

Lembrando: cada ser humano, como filho de Deus, possui a capacidade de experimentar a divindade em si mesmo. Quando você se reconhece como uma pedra bruta, isso significa que, em suas relações com os outros, você pode agir de forma agressiva. Por isso, é preciso lapidar suas impurezas culturais para ser mais receptivo à diversidade.

 

Ao me lapidar, não busco a uniformidade, mas sim a revelação da minha singularidade como filho das estrelas. Desejo enxergar e valorizar a singularidade de todos os outros seres humanos.

 

Na construção de um templo físico, de pedras, é necessário que cada pedra se encaixe com as demais. Para isso, não é preciso padronizar todas as pedras, mas sim valorizar a especificidade de cada uma. Basta remover o que esconde a preciosidade de cada joia, permitindo que todas sejam companheiras.

 

A construção de templos físicos, portanto, serve para unir os irmãos em uma obra coletiva e nos lembrar de que o verdadeiro templo, onde habita o princípio criador, é o nosso interior. Para cuidar desse templo interior, precisamos da colaboração de todos os filhos de Deus.

 

Exortação

 

Amados irmãos, a construção coletiva de templos pode servir como um ponto de encontro para a prática espiritual comunitária. Ao erguermos juntos as paredes de um templo, estamos construindo um espaço sagrado onde podemos compartilhar nossas alegrias e nossas dores, fortalecer nossos laços e nos aproximar de Deus. Essa experiência coletiva nos inspira a construir também um templo interior, um espaço sagrado dentro de nós mesmos.

 

Sou filho do Pai, mas este reconhecimento não pode exaltar e inflamar o meu ego. Ao contrário, deve me trazer a paz da humildade, lembrando-me de que o amor é a força que nos une e nos transforma. Ao amarmos a Deus e ao próximo, estamos construindo o verdadeiro templo, que é o nosso coração.

 

Considerações Finais

 

No texto é apresentada uma proposta de reflexão sobre a natureza da espiritualidade, questionando a construção de templos físicos e propondo uma visão mais interiorizada da fé. Ao questionar as instituições religiosas e valorizar a experiência individual, lanço um convite para construirmos juntos um mundo mais justo e fraterno, baseado no amor e na compreensão mútua.

 

A desinformação ocorrida com a institucionalização do Ensino de Jesus, dando ênfase a divindade do Cristo e, em consequência, a justificativa de guerras em nome da fé. Para corrigir proponho uma volta às raízes mais simples e humanistas do ensinamento de Jesus.

 

A ideia central é que o verdadeiro templo, em conformidade com Jesus, não é uma construção física, mas o coração humano. A espiritualidade deve ser cultivada individualmente e em comunidade.

 

É importante reconhecer a singularidade de cada indivíduo, para tanto faço uma metáfora de cuidar os seres humanos como pedras preciosas que, juntas, formam uma obra prima.

 

Apesar de crítica aos templos físicos, reconheço o valor da construção coletiva como um espaço de encontro e fortalecimento dos laços fraternos. De novo: enfatizo a importância da paz, da união e do amor como fundamentos da espiritualidade.

 

Amados Irmãos, desejo que o nosso contentamento seja contribuir para o desenvolvimento da Maçonaria.

 

Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado, Cavaleiro Rosa Cruz, Cavaleiro Noaquita - oráculo de Melquisedec, e Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito. Campina Grande, 6 de novembro de 2024.


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