O Mestre Indaga ao Aprendiz – XII
Qual a importância da Ordem Rosa Cruz na
jornada espiritual do maçom?
Para
responder a esta questão importante iremos nos referendar no importante
trabalho do Mestre Maçom Paulo Santos (*).
Introdução
Em
poucas palavras, no texto “BREVE SIMBOLISMO DA ROSA E DA CRUZ” o autor apresenta
uma visão geral da Ordem Rosa Cruz, desde suas origens lendárias, segundo o
Fama Fraternitatis, até seus ensinamentos e conexões com a maçonaria. A ordem,
fundada por Christian Rosenkreuz no século XV, busca a autotransformação do
indivíduo e a evolução da humanidade. O texto explora também a relação entre os
ensinamentos rosacrucianos e o cristianismo, com destaque para o simbolismo da
rosa no Grau 18 do R∴E∴A∴A∴.
O Contexto Histórico da Ordem Rosa-Cruz
A
Ordem Rosa-Cruz, envolvida em um mistério secular, surgiu em um período de
grandes transformações. Nos séculos XVI e XVII, a Europa vivenciava uma busca
intensa por conhecimento e espiritualidade. A Reforma Protestante, com sua ênfase
na fé individual, e o Renascimento, com sua valorização da razão, criaram um
ambiente propício para o florescimento de ideias como as da Rosa-Cruz.
A
Reforma Protestante e a Busca por Verdade
A
Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, acendeu uma chama de
questionamento sobre a autoridade da Igreja. Muitas pessoas buscaram uma
conexão mais direta com o Divino, sem intermediários. A Rosa-Cruz, com suas
promessas de iluminação e conhecimento secreto, ofereceu uma alternativa
atraente para aqueles que ansiavam por uma espiritualidade mais pessoal.
O
Renascimento da Sabedoria Ancestral
O
Renascimento foi um período de redescoberta do conhecimento antigo.
Alquimistas, astrólogos e filósofos buscavam desvendar os mistérios da natureza
e do universo. A Rosa-Cruz, com seus símbolos e rituais enigmáticos, se
encaixava perfeitamente nesse contexto de busca pela sabedoria ancestral.
A Guerra pela Paz e a Fraternidade
Universal
As
guerras religiosas que assolaram a Europa geraram um profundo desejo por
harmonia e unidade. A Rosa-Cruz propôs uma visão de fraternidade universal,
onde homens de todas as crenças poderiam se unir em busca do conhecimento e da
perfeição. A ideia de uma sociedade secreta, unida por laços de amizade e
sabedoria, era um farol de esperança em tempos turbulentos.
A
Formação das Lendas Rosacrucianas
Textos
como o Fama Fraternitatis e o Confessio Fraternitatis anunciavam
a existência de uma sociedade secreta, fundada por Christian Rosenkreuz no
século XV, que possuía conhecimentos profundos sobre a natureza, o homem e o
universo. Essas obras, escritas em um estilo enigmático e repleto de
simbolismo, rapidamente se espalharam por toda a Europa, despertando a
curiosidade e a imaginação de muitos.
A
Ordem Rosa-Cruz como Movimento Cultural
É
importante ressaltar que, embora as origens históricas da Ordem Rosa-Cruz sejam
nebulosas, seu impacto cultural foi inegável. A Ordem Rosa-Cruz inspirou
inúmeros escritores, filósofos e artistas, influenciando o pensamento e a
cultura europeia durante séculos. A busca pela iluminação espiritual, a
valorização do conhecimento secreto e a esperança em um futuro mais justo e
equitativo são legados que perduram até os dias de hoje.
Em busca da resposta ao questionamento
A
Ordem Rosa Cruz, sob a lente da psicologia analítica, apresenta um caminho para
o desenvolvimento pessoal e espiritual, alinhado com os princípios da
individuação. Os símbolos utilizados pela Ordem, como a cruz e a rosa, evocam
arquétipos universais e refletem a busca pela integração dos opostos e pela
realização do Self. A jornada do iniciado na Ordem pode ser vista como uma
jornada interior, em direção à descoberta da própria natureza e à conexão com o
"inconsciente coletivo".
A
vivência do maçom no Grau 18 do R∴E∴A∴A∴ pode lhe revelar uma rica simbologia
que o conecta profundamente com o processo de individuação.
Os elementos presentes neste grau, como a rosa, a cruz e a figura de Jesus
Cristo, evocam arquétipos universais e convidam à reflexão sobre a natureza
humana e o sentido da vida.
A
rosa é um símbolo universal de transformação e renascimento. No contexto do
Grau 18, ela pode ser associada à figura de Jesus Cristo, representando o
sacrifício e a redenção. Essa associação evoca o arquétipo do herói, figura
presente em diversas mitologias e que representa a jornada de um indivíduo em
busca de autoconhecimento e transformação.
O
sangue de Cristo, derramado na cruz, é um símbolo poderoso de sacrifício e
renovação. Na psicologia analítica, o sangue é frequentemente associado à vida,
à energia vital e ao processo de transformação. O ato de derramar o sangue pode
ser interpretado como uma renúncia ao ego e uma abertura para uma consciência
mais ampla.
A Fé, a Esperança e a Caridade
As
virtudes cristãs de fé, esperança e caridade, presentes no Grau 18,
correspondem a funções psicológicas importantes. A fé se relaciona com a
intuição, a esperança com a prospecção e a caridade com o sentimento. Essas
funções, quando integradas, contribuem para um desenvolvimento psicológico
equilibrado e para a experiência de sentido.
A Fé e a Intuição
A
fé, como uma das virtudes fundamentais do cristianismo, encontra um paralelo na
função psicológica da intuição. A intuição, segundo Jung, é a capacidade de
perceber as coisas de forma holística, captando significados mais profundos que
transcendem a lógica racional. A fé, por sua vez, é a confiança em algo que não
pode ser provado empiricamente, mas que é experimentado como verdadeiro.
Na
maçonaria, a intuição é fundamental para a compreensão dos símbolos e dos
mistérios. A fé, nesse contexto, não é cega, mas sim uma confiança baseada na
experiência pessoal e na tradição.
A
intuição permite que o indivíduo se conecte com os aspectos mais profundos de
sua psique, facilitando o processo de autoconhecimento e descoberta do sentido
da vida.
A Esperança e a Prospecção
A
esperança, como a capacidade de antecipar um futuro positivo, está relacionada
à função psicológica da prospecção. A prospecção é a orientação para o futuro,
a capacidade de imaginar e criar metas. A esperança é uma força motriz
poderosa, capaz de impulsionar o indivíduo a superar obstáculos e a perseverar
em seus objetivos.
Na
maçonaria, a esperança é vista como uma virtude essencial, pois ela alimenta o
desejo de aperfeiçoamento pessoal e de construção de um mundo melhor.
A Caridade e o Sentimento
A
caridade, o amor ao próximo, está ligada à função psicológica do sentimento. O sentimento, para Jung, é a capacidade
de experimentar o mundo de forma subjetiva, de se conectar emocionalmente com
as pessoas e com as coisas.
A
caridade é uma expressão do Self, o centro da personalidade que busca a
totalidade e a harmonia. Ao praticar a caridade, o indivíduo se conecta com a
humanidade e com o universo.
O
sentimento é fundamental para a experiência maçônica, pois ele permite que o
indivíduo se conecte com os outros membros da loja e vivencie a fraternidade.
Quando
as funções psicológicas de intuição, prospecção e sentimento estão integradas,
o indivíduo experimenta um maior senso de bem-estar e propósito.
A Maçonaria como Caminho para a
Individuação
A
Maçonaria oferece um rico terreno para a exploração do conceito de
individuação. Jung definiu a individuação como um processo de autodescoberta e
auto realização, um caminho para a integração dos aspectos conscientes e
inconscientes da psique.
A
jornada maçônica, com seus graus e rituais, pode ser vista como uma alegoria da
jornada interior. A cada grau, o maçom é convidado a aprofundar sua compreensão
de si mesmo e do universo.
Assim
maçonaria oferece um caminho para o desenvolvimento pessoal e espiritual. Ao
cultivar as virtudes de fé, esperança e caridade, o maçom se aproxima da
realização do Self e contribui para a construção de um mundo mais justo e
fraterno.
A Sigla INRI e o Processo de
Autotransformação
A
sigla alquímica INRI, que significa "Igni Natura Renovatur Integra"
(O fogo renova inteiramente a natureza), evoca o processo de transformação
alquímico, presente tanto na psicologia analítica quanto nas tradições
esotéricas. O fogo, nesse contexto, simboliza a energia transformadora que atua
no interior da psique (alma), purificando e regenerando.
A
sigla INRI e o simbolismo da rosa apontam para a possibilidade de uma
transformação profunda, tanto a nível pessoal quanto coletivo.
A
experiência do Grau 18 pode facilitar a conexão com o sagrado, seja ele
entendido como um Deus pessoal, um princípio universal ou uma experiência
interior de transcendência.
Exortação
Amados
Irmãos, ao adentrarmos o sublime Grau 18, somos convidados a uma jornada
profunda de autodescoberta e transformação. Os símbolos e ensinamentos deste
grau, ao serem analisados sob a lente da psicologia analítica, revelam um rico
universo de significados que transcendem a compreensão superficial.
A
rosa, a cruz, a figura de Cristo e as virtudes cristãs nos convidam a uma
reflexão sobre a natureza da nossa alma e o nosso lugar no universo. Ao nos
conectarmos com esses símbolos arquetípicos, despertamos para as
potencialidades da nossa psique e nos aproximamos da realização do Self, o
centro da nossa personalidade.
Que
este Grau seja um marco em nossa jornada maçônica, impulsionando-nos a buscar
um conhecimento mais profundo de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Que a fé,
a esperança e a caridade sejam nossas guias nessa jornada, conduzindo-nos a uma
vida mais plena e significativa.
Amados Irmãos, desejo que o nosso contentamento seja contribuir para o desenvolvimento
da Maçonaria.
Poeta Hiran de Melo - Mestre Instalado,
Cavaleiro Rosa Cruz, Cavaleiro Noaquita - oráculo de Melquisedec, e Sublime Príncipe do Real Segredo, Grau 32 do
Rito Escocês Antigo e Aceito, em 6 de dezembro
de 2024 da Revelação do Cristo.
Referência bibliográfica
(*)
BREVE SIMBOLISMO DA ROSA E DA CRUZ, Paulo Santos Mestre Maçom, filiado a ARLS
Verdadeiros Amigos 3902, GOSP-GOB (São Paulo, Brasil).
https://www.maconaria.net/breve-simbolismo-da-rosa-e-da-cruz/
Livros:
O homem e seus símbolos, Carl G. Jung.
Jung e o Caminho da Individuação, Murray Stein.

Comentários
Postar um comentário