Acordei o
Dragão
Por Lucas
Adonhiramita
Depois do susto, respirei
fundo e me recompus. O silêncio ao meu redor parecia pesado, mas logo foi
quebrado por uma voz profunda, que ecoava como trovão dentro da caverna:
— Meu insolente
aprendiz, o que desejas?
O coração disparou. Eu
havia sonhado com esse encontro tantas vezes, mas agora que estava diante dele
— o Dragão, guardião dos segredos antigos — minha mente se esvaziava. As
palavras que preparei se perderam na emoção.
O Dragão era maior do que
eu esperava. Não apenas em sua forma imponente, mas em seu significado. Ele era
o espelho daquilo que eu trazia dentro de mim: os medos, os desejos, a coragem
e a fragilidade. Ao acordá-lo, não despertei apenas uma força externa, mas
também a chama que repousava adormecida em meu próprio coração.
Confesso que só consegui
balbuciar aquilo que sempre esteve em meu peito: o desejo de tudo de bom para
os que amo. O pedido que imaginei, o tesouro que poderia ter exigido,
simplesmente se dissolveu diante da grandeza daquele instante.
O Dragão me fitou com
olhos de fogo, e por um momento temi que minha resposta fosse considerada
fraca. Mas então percebi um brilho de aprovação em seu olhar. Não era ouro, não
era poder, não era glória que eu buscava — era amor.
E foi assim que
compreendi: o encontro não era sobre o que eu poderia ganhar, mas sobre o que
eu já carregava. O Dragão não me ofereceu nada além de sua presença, e isso
bastou.
Posso dizer, sem hesitar,
que foi um encontro justo e perfeito. Justo porque me mostrou que o maior dom é
saber desejar o bem. Perfeito porque me ensinou que o Dragão não precisa ser
vencido, mas despertado.
Ao sair da caverna,
percebi que o Dragão continuava comigo, não como ameaça, mas como guardião
daquilo que é essencial: o amor que se oferece sem esperar retorno.
Mas então me pergunto — e
convido você, leitor, a se perguntar também: se o Dragão despertasse diante de
seus olhos e lhe perguntasse “O que desejas?”,
o que você responderia? Pediria riquezas, poder, reconhecimento? Ou, talvez, descobriria que o verdadeiro
tesouro já repousa dentro de si, aguardando apenas ser revelado?
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